Disputa entre cidades deve focar em saúde, educação e qualidade de vida, não em quem trouxe mais artistas para o São João, diz Léo Valente

Radialista critica a competição entre municípios por público nas festas juninas e defende que o verdadeiro desafio dos gestores deve ser oferecer serviços públicos eficientes e valorizar os profissionais.

A movimentação de visitantes durante o São João de 2025 acirrou a rivalidade entre dois municípios do Recôncavo Baiano. Segundo dados divulgados pelas prefeituras, Cruz das Almas atraiu cerca de 700 mil pessoas para a festa, enquanto Santo Antônio de Jesus recebeu aproximadamente 600 mil. Apesar dos números expressivos, o debate ganhou outro contorno: a competição entre gestores por quem investe mais e atrai os artistas mais caros.

Foto: Blog do Valente

“Prefeitos, atenção: não entrem nessa briga.”, alertou o jornalista Léo Valente, durante o programa Levante a Voz, na Rádio Andaiá, nesta sexta-feira (27).

Segundo o comunicador, a lógica adotada por alguns prefeitos estimula uma disputa baseada em vaidade e cifras: se uma cidade contrata um artista nacional de grande renome, a outra se sente pressionada a superar com um nome internacional, ampliando os custos com atrações.

O problema, de acordo com Léo Valente, é que esse tipo de concorrência desvia o foco das prioridades da população. “O que a sociedade realmente deseja é saber qual cidade tem o melhor índice de educação, mais escolas climatizadas, laboratórios de informática bem equipados e um sistema de saúde que funcione”, destacou.

Ainda segundo ele, a verdadeira “disputa” entre os municípios deveria ser por políticas públicas eficientes: quem tem mais médicos por habitante, quem oferece melhores condições de trabalho aos servidores públicos, quem garante infraestrutura urbana, empregos e serviços básicos de qualidade.

O radialista reconheceu que festas populares têm importância econômica e cultural, pois movimentam o comércio, geram empregos temporários e promovem lazer. No entanto, enfatizou que “é preciso equilíbrio”. Ele alertou para os riscos de se investir milhões em eventos enquanto unidades de saúde sofrem com falta de medicamentos e de profissionais.

“O povo dança, bebe, se diverte, mas continua enfrentando fila por atendimento médico e salas de aula lotadas no dia seguinte”, afirmou o jornalista, ao defender que a disputa entre cidades seja pautada por resultados concretos na vida da população, e não pela grandeza dos palcos.