
O número de afastamentos do trabalho por questões de saúde mental aumentou mais de 200% na Bahia na última década. Os dados foram comentados por Fernanda, psicóloga e especialista em inserção profissional, durante entrevista ao Levante a Voz na Rádio Andaiá, na manhã desta quinta-feira (04). “Estamos vivendo um momento, principalmente após a pandemia, de muita cobrança, de muita necessidade de alta performance. (…) A gente começa a ter um excesso de cobrança e que naturalmente a gente não vai aguentar”, afirmou.
Entre 2014 e 2024, a concessão de benefícios previdenciários por esse motivo passou de 5.020 para 15.189 casos. O crescimento dos afastamentos está ligado a diversos fatores sociais e profissionais. Fernanda ressaltou que a pressão não se limita ao trabalho, mas também atinge estudos, vida social e corpo físico, muitas vezes reforçada pelas redes sociais.
Ela destacou que profissionais de diversas áreas têm sido afetados, como bancários, professores, médicos e trabalhadores da saúde, que sofrem de burnout – condição caracterizada por estafa, ansiedade relacionada ao trabalho e pensamentos constantes sobre obrigações profissionais.
“Sabe aquela pessoa que dorme e acorda pensando no trabalho? Isso já é uma característica, é uma estafa muito grande”, explicou.
A psicóloga também abordou fatores culturais e tecnológicos que agravam a situação.
“Nós naturalizamos a alta produtividade, acreditando que quanto mais nos desafiamos, mais capazes somos. (…) E o avanço da tecnologia também traz preocupações, porque algumas ocupações operacionais tendem a desaparecer, aumentando a pressão sobre quem permanece no mercado”, destacou.
Durante a entrevista, Fernanda alertou para a importância do sentido do trabalho e da qualidade do ambiente laboral.
“O homem precisa do trabalho. O trabalho inclusive dignifica, o trabalho dá sentido às pessoas. O que precisamos compreender é como estamos lidando com isso”, disse, enfatizando que ambientes tóxicos, metas excessivas e assédio moral, mesmo que não intencional, contribuem para o aumento de afastamentos.
Ela ainda mencionou o impacto sobre jovens e a chamada geração Z, que enfrenta desafios de inserção profissional, alta pressão e influência acelerada de redes sociais, afetando o ritmo cognitivo e emocional.
Ver essa foto no Instagram




