Mãe e filho mostram que têm DNA da corrida de rua no sangue

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Campeão do Circuito Baiano de Corridas de Rua 2015, na categoria júnior, Douglas da Natividade Rosa tem a mãe como incentivadora diária na corrida em busca de um lugar entre os tops brasileiros. Atleta veterana, Natividade, de 50 anos, é quem puxou o garoto de 18 anos  para as competições. A missão, como ela definiu, foi difícil. “Ele só queria saber de futebol”, relembra a mãe, que após o rapaz tomar gosto pelas corridas ganhou um parceiro diário nos treinos. Os dois deixam a casa, em Pernambués, quando o sol está nascendo e seguem correndo para chegarem ‘aquecidos’ ao treinamento.

A exemplo de muitos atletas amadores, ambos precisam conciliar o esporte com o emprego. Natividade divide as corridas com a função de recepcionista em um escritório de advocacia, pela manhã. À tarde, é cobradora de ônibus. Já Douglas trabalha tempo integral no Moinho da Bahia. “Quando termina o expediente,  vou para casa jantar e depois para a escola. Estudo das 19h30 às 22h e durmo às 23h”, conta.

A rotina cansativa não o impede de dedicar os finais de semana às corridas como as do Circuito Baiano. Foi assim que se sagrou campeão júnior do circuito. “Se ele tivesse tempo, que é de pelo menos 2 horas diárias, poderia render muito mais”, afirma o professor de atletismo Jaime Santana.

Responsável por revelar o jovem talento, Santana diz que Douglas começou a levar as corridas a sério no ano passado e já foi campeão. Apesar do futuro promissor, o técnico teme que a rotina exaustiva force o atleta a desistir da carreira, “porque as chances dele reduzem drasticamente se não forem obedecidos rotina de treinamento, alimentação adequada e repouso”.

Há ainda o problema do incentivo. “Tenho apoio do curso Previsão, que paga minhas inscrições nas competições. Tem corrida que custa R$ 110 a inscrição, já pensou tirar esse valor do salário?”, questiona o atleta, que atualmente faz 10 km na casa dos 40 minutos. Um top brasileiro, segundo Jaime Santana, faz em 32. “Ele tem chance de melhorar, e muito, até porque os grandes atletas atingem o auge depois dos 26 anos”.

Ex-jogador

Entre os 16 e 18 anos, Douglas queria jogar futebol. “Fui meia-defensivo no Galícia por quatro meses”, relembra ele, que encarou um teste no Bahia, seu time de coração. “Cheguei até a 5ª etapa da peneira, mas não passei”, disse.

Douglas tem na mãe uma fã incondicional. Natividade conta que a vontade de correr nasceu nela durante uma exibição da São Silvestre, na televisão, 15 anos atrás. “Vi uma queniana ganhando das brasileiras e disse para mim mesma que ia entrar para as corridas para ganhar das africanas. Na época, com o próprio técnico Jaime Santana, ela passou a treinar e perdeu cerca de 23 dos 69 kg. “Minhas amigas pensavam que eu estava doente, mas era quando eu mais estava ganhando saúde”, relata Natividade.

Ela, que nunca venceu uma queniana, não perde a esperança. “Quem vai realizar o meu sonho é Douglas. Eu já vou me aposentar, mas ele está começando e pode crescer”. Diante do ‘compromisso’, Douglas promete: “Meu objetivo é ser campeão baiano na categoria geral. Depois, penso nos quenianos”. (A Tarde)