O que significa ser pansexual?

Há um ano, Bella Thorne revelou ser pansexual em uma entrevista ao programa Good Morning America. “Não sabia que isso existia até que alguém me explicou. Você gosta de seres humanos, não precisa ser uma garota ou um garoto, ele ou ela”, disse a atriz. Mais recentemente, no fim de agosto, Reynaldo Gianecchini também se declarou pansexual: “Já tive, sim, romances com homens. Mas a sexualidade é muito mais ampla”.

As revelações trouxeram a muitos a dúvida: mas, afinal, o que é ser pansexual? O termo é recente e, para esclarecer e desmistificar a pansexulidade, conversamos com a sexóloga Ana Cláudia Simão e o psiquiatra e médico do IPq-HCFMUSP, Alexandre Saadeh.

Pansexual é aquele que se interessa pelo ser humano e não pelo seu gênero. A pansexualidade é uma orientação sexual na qual o indivíduo tem atração por homens, mulheres, trans, não-binários, andrógenos e etc”, explica Ana Cláudia. “Ela é mais uma das caixinhas da sexualidade que a gente se coloca”, diz Alexandre.

Qual a diferença, então, entre pansexual e bissexual?

Essa questão também pode aparecer, mas enquanto a bissexualidade se atrai pelo feminino e pelo masculino, para a pansexualidade o gênero não importa. “Um pansexual pode se atrair, por exemplo, pelo andrógeno que é uma pessoa que se veste e se comporta como alguém que não sabe o gênero dela – aqui, o gênero não existe e é nesse espaço que se encaixa a pansexualidade”, explica a sexóloga.

A pansexualidade, assim como outras orientações sexuais, é algo construído pela sociedade, “Meninas são educadas para gostar de meninos e procriar. Meninos crescem aprendendo que são o provedor e precisam estar sempre dispostos a uma transa. Isso tudo foi construído, mas ao longo do tempo as pessoas vão descobrindo onde realmente está o seu desejo sexual”, diz Ana Cláudia.

“Muitos adolescentes, por exemplo, se dizem pansexuais mas na realidade eles ainda estão se definindo. Ainda pode ser um processo de experimento”, reflete Alexandre que continua: “A pansexualidade está na caixinha do desejo amplo, quando a questão sexual se encontra com a característica humana, sem pensar na física”.

Para Ana Cláudia as pessoas fluem e mudam ao longo do tempo. É preciso saber que, hoje não existem apenas pessoas binárias em uma sociedade – ou o feminino ou o masculino. “Temos que estar abertos a pessoas e pessoas se descobrem em diferentes tipos de orientação sexual”.

Revista Glamour




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