Vídeo mostra momento em que ciclovia desaba na Av. Niemeyer, Rio

Um vídeo gravado por um ciclista mostra o exato momento do desabamento de parte da recém-inaugurada ciclovia Tim Maia, na Avenida Niemeyer, em São Conrado, Zona Sul do Rio. O acidente, na manhã desta quinta-feira (21), deixou pelo menos dois mortos.

Nas imagens (veja acima), é possível ver uma onda batendo nas pedras do costão e cobrindo totalmente a ciclovia. Em seguida, mais embaixo, aparece uma nuvem de poeira escura em meio à espuma do mar. Quando a onda baixa, a ciclovia reaparece já parcialmente destruída, sem um trecho de cerca de 20 metros.

Muitas pessoas passavam pelo local no momento do acidente e pareciam não se dar conta da gravidade. Algumas pararam para tirar fotos da ressaca, que impressionava pedestres, corredores e ciclistas. Segundo especialistas, as ondas chegaram a quatro metros de altura.

Bombeiros ainda buscam mais um corpo, já que testemunhas apontam que uma terceira pessoa foi levada para o mar – a chance de haver mais de três vítimas não está descartada. As buscas terminaram por volta das 19h desta quinta e serão ao amanhecer de sexta (22).

Inaugurada em janeiro, a ciclovia custou quase R$ 45 milhões e foi construída como atrativo para os Jogos Olímpicos, que serão realizados em agosto. O nome é em homenagem ao compositor da canção “Do Leme ao Pontal”, localidades da orla da cidade que serão interligadas pela ciclovia após o fim das obras – o trecho entre São Conrado e Barra ainda não foi inaugurado.

Após o acidente, jornais do mundo inteiro repercutiram a notícia e apontaram outros problemas na cidade às vésperas das Olimpíadas.

https://www.youtube.com/watch?v=V9aC4Hwbu8Y

Vítimas
Um dos mortos é o engenheiro Eduardo Marinho, de 54 anos. A segunda vítima foi identificada à noite como Ronaldo Severino da Silva, de 60 anos.

O corpo de Eduardo Marinho será cremado no Memorial do Carmo, na Zona Portuária, nesta sexta-feira. De acordo com parentes, antes de sair de casa para correr, ele deixou um bilhete para o filho de 15 anos: “Vou correr, volto já, te amo muito”.
Quem reconheceu o corpo de Eduardo foi o cunhado, João Ricardo Tinoco, que foi ao local a pedido da irmã, Eliana Tinoco, a viúva do engenheiro.

“Ele falou que ia chegar ao meio-dia em casa, aí a minha irmã, que é médica e estava indo operar, sentiu um aperto no coração e pediu para eu ligar e ele sempre corre naquela direção da Niemeyer, que é bonita. Ela me ligou e pediu uma ajuda. Como eu estava aqui pertinho, eu parei o carro e vim ver se era ele (…) Ele era um carioca mesmo, gostava de curtir a vida. Um cara alto astral, trabalhador, gostava de esportes, de correr, velejar”, contou o cunhado.

Imagens exibidas na Globo mostram o desespero da viúva ao chegar na Praia de São Conrado para reconhecer o corpo (veja no vídeo abaixo). Muito abalada, ela foi até o Instituto Médico Legal (IML) e não quis gravar entrevista.

‘Imperdoável’, diz Prefeitura
O secretário Executivo de Governo, Pedro Paulo Carvalho, garantiu que não há riscos de novos desabamentos e classificou o acidente como “imperdoável”. O mesmo adjetivo foi usado pelo prefeito Eduardo Paes, em nota divulgada pouco depois (leia a íntegra no fim da reportagem).

“É imperdoável o que aconteceu, já determinei a apuração imediata dos fatos e estou voltando para o Brasil para acompanhar de perto”, disse o prefeito.

Salvos por instantes
Damião Pinheiro de Araújo, de 60 Anos, passava pelo local de bicicleta na hora em que as ondas atingiram a ciclovia.

“As pessoas pararam na ciclovia, acharam bonito e ficaram tirando fotos das ondas. Eram enormes. Veio uma maior ainda, a ciclovia levantou e caiu um pedaço. Vi as pessoas caindo. É triste. Toda vez que o mar subir vai ter que interditar a ciclovia, faz parte da natureza. Para mim ela foi mal planejada”, disse Damião.

O administrador Guilherme Miranda também passava pelo local no momento do acidente.
“Eu quase morri. Já chegou a imprensa inteira. Cadê o prefeito, cadê o engenheiro que fez essa obra? É desesperador você ver as pessoas morrendo na sua frente. Alguém tem que dar uma resposta disso, foram R$ 45 milhões. Acabaram de inaugurar e já está rachada em vários pontos, passo aqui todos os dias para ir e voltar do trabalho”, disse Guilherme, que diz ter visto três corpos boiando.

Um outro homem, que também passou pelo local pouco antes do acidente, relatou que a onda era muito forte. “A onda batia na pedra e subia, varria a Niemeyer e a ciclovia. Era tão forte que não dava pra passar. Eu tive que esperar no meu caminho de ida e volta”, contou Roberto Meliga.

*G1