Taffarel sobre o pênalti de Baggio em 1994: ‘Senti que a Copa acabaria ali’

Taffarel é abraçado pelos jogadores da seleção após o pênalti cobrado por Baggio - Foto: AFP/17.07.1994

Goleiro do tetra, herói em contraponto ao vilão Roberto BaggioTaffarel interpreta de maneira diferente a cobrança do adversário, e diz que previu que o italiano perderia (mandou por cima do travessão). Neste domingo, às 16h, a “Rede Globo”, reprisa a final da Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos.

Acha que cobrar um pênalti na situação do Baggio (se perder, o Brasil era campeão) é mais complicado?
Sim, pênalti já é uma pressão muito grande para o batedor. Numa Copa do Mundo, você tendo a última chance… Até para um batedor como o Baggio. Experiência ele tinha, mas é impressionante como a responsabilidade afeta muito.

Por que acha que ele errou?
O Dunga tem uma teoria que eu acho que decifrou bem a cobrança dele. Acho que ele ia chutar para o lado que eu saltei. Quando me viu, tentou mudar o canto, pegou muito embaixo na bola e ela subiu. Para ele ter chutado tão mal assim…

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Acha que o cansaço do jogo pegou? Estava muito calor…

Acho que o cansaço influi pouco na disputa de pênalti. É mais o cansaço mental do que físico. Entre a prorrogação e os pênaltis tem um tempo, você consegue recuperar um pouco. O cansaço mental que é complicado: a caminhada do centro do campo até a área, a pressão, o estádio em silêncio…

Estudou o Baggio antes?
Era o grande jogador na época. Demos uma estudada, mas eu não gostava muito de olhar nas estatísticas e sim o momento. Tentava tirar alguma coisa antes da batida, ter alguma intuição. A cobrança dele foi muito ruim, ninguém esperava, mas eu sim. Antes do Baggio bater senti que a Copa acabaria ali. Só não sabia como, se eu ia defender ou se ele ia chutar para fora.