Líder do governo diz que há ‘constrangimento’ geral sobre currículo de Decotelli

Em entrevista exclusiva à CNN, o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), afirmou que há constrangimento geral entre aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a respeito das inconsistências no currículo do ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli.

“Todos estão muito constrangidos com as informações que estão circulando sobre a veracidade das informações contidas no currículo do ministro Decotelli”, disse Bezerra. A posse do novo ministro estava prevista para esta terça-feira (30), mas foi adiada até segunda ordem e o governo estuda rever a nomeação.

Segundo o senador, a decisão será tomada “nas próximas horas”. Bezerra afirma que, caso precise escolher um novo nome, o presidente Jair Bolsonaro vá manter a tendência da atual escolha e preferir um nome mais técnico e conciliador, sem voltar ao perfil mais ideológico do ex-ministro Abraham Weintraub.

“A linha, o presidente já sinalizou, é uma escolha técnica e que possa permitir o diálogo com as forças políticas no Congresso. Caso haja necessidade, acredito que seja essa a linha que será seguida pelo presidente Bolsonaro”, afirmou.

Toda a pós-graduação do ministro da Educação está em questionamento. A Universidade de Rosário, na Argentina, negou que ele tenha obtido um título de doutorado na instituição, o que o levou a editar seu currículo na plataforma oficial Lattes. Mais recentemente, a Universidade de Wuppertal, na Alemanha, negou que ele tenha obtido título de pós-doutor na instituição e a própria dissertação de mestrado do ministro foi colocada em dúvida, sob verificação para um possível plágio.

O senador afirmou que o presidente está comprometido com a intenção de se aproximar do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF). “O presidente Bolsonaro vai estreitar a sua relação com o Congresso e vai harmonizar a sua relação com os poderes da República”, afirmou, atribuindo a mudança de postura com a necessidade de medidas para contenção da crise econômica, derivada da pandemia do novo coronavírus.

“Respondendo de forma objetiva à sua pergunta, o que levou o presidente Bolsonaro a poder abrir o diálogo com os poderes e o Congresso Nacional foi a necessidade de ter apoio político para poder recuperar a sua agenda econômica, porque ganha a eleição se a economia estiver bem”, disse Bezerra. Por essa agenda, o senador listou o recém-aprovado Marco Legal do Saneamento e novas legislações nas áreas de gás e do setor elétrico, incluindo a “democratização do capital” da Eletrobras.

Fonte: CNN