Taxa de desemprego vai a 14,3% mesmo com aumento da população ocupada

A taxa de desemprego subiu no trimestre encerrado em outubro, mas os dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça (29) apontam para recuperação do mercado de trabalho brasileiro, com mais gente ocupada e retomada das contratações por setores importantes, como a indústria.

Segundo o instituto, o Brasil tinha 14,1 milhões de desempregados no trimestre, 931 mil a mais do que no trimestre móvel anterior, encerrado em julho. A taxa de desemprego subiu de 13,8% para 14,3%, a maior para o período desde o início da pesquisa, em 2012, mas abaixo das expectativas do mercado, que esperava 14,7%.

A piora do desemprego reflete o aumento do número de brasileiros que decidiu ir às ruas em busca de uma vaga após o relaxamento das medidas de isolamento social adotadas no período mais duro da pandemia. A estatística do IBGE considera desempregada a pessoa que procurou trabalho na semana da pesquisa.

Mas outros indicadores da pesquisa mostraram que o mercado de trabalho vem se recuperando do tombo, disse a coordenadora do IBGE Maria Lúcia Vieira, destacando que a continuidade da recuperação vai depender da evolução da pandemia após o repique de contaminações neste fim de ano.

O número de brasileiros com algum tipo de trabalho cresceu 2,8%, ou 2,2 milhão de pessoas no trimestre. A recuperação foi puxada pela informalidade: desse total, 2 milhões são trabalhadores considerados informais, grupo que compreende empregados do setor privado e domésticos sem carteira, trabalhadores por conta prória sem CNPJ e trabalhadores auxiliares familiares.

“A recuperação [dos informais] é bastante interessante, não pode ser vista como um ponto negativo”, disse o diretor-adjunto de pesquisas do IBGE, Cimar Azeredo. “Mostra um retorno das pessoas que foram afastadas por essa situação adversa que é a crise sanitária.”

Fonte: BN