
Durante a posse de Dilma Rousseff como presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) em Xangai, na China, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o modelo tradicional de financiamento de instituições financeiras internacionais, destacando que o NDB, também conhecido como Banco do Brics (bloco econômico composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), não tem a participação do Fundo Monetário Internacional (FMI) ou instituições financeiras de países de fora do grupo.
“Pela primeira vez, um banco de desenvolvimento de alcance global é estabelecido sem a participação de países desenvolvidos em sua fase inicial. Livre, portanto, das amarras e condicionalidades impostas pelas instituições tradicionais às economias emergentes. E mais, com a possibilidade de financiamento de projetos em moeda local”, disse.
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De acordo com a Agência Brasil, Lula também exaltou o papel do banco como um instrumento de combate à desigualdade.
“A mudança do clima, a pandemia e os conflitos armados impactam negativamente as populações mais vulneráveis. Muitos países em desenvolvimento acumulam dívidas impagáveis. É nesse contexto que a criação do NDB se impõe”.
O ex-presidente brasileiro também criticou o Fundo Monetário Internacional (FMI), a quem acusou de ‘asfixiar’ na Argentina, e pediu mais paciência e tolerância dos bancos ao renovarem seus acordos de financiamento.
“Nenhum governante pode trabalhar com uma faca na garganta porque está devendo”, disse. “Não cabe a um banco ficar asfixiando as economias dos países como está fazendo com a Argentina o Fundo Monetário Internacional”, pontuou.
Lula ainda apelou à comunidade internacional para ser mais generoso e derrotar o individualismo que está tomando conta da humanidade.
Na posse, Dilma Rousseff também defendeu o viés social do banco e assumiu o compromisso do NDB com a proteção ambiental, infraestrutura social e digital. Ela pediu proteção comum a todos os países e destacou a importância do NDB para os países emergentes e em desenvolvimento.
Criado em 2014, o NDB tem cerca de US$ 32 bilhões em projetos aprovados, sendo cerca de US$ 4 bilhões investidos no Brasil em projetos de rodovias e portos. A instituição atualmente tem adesão de países como Bangladesh, Egito, Emirados Árabes Unidos e Uruguai. Especialistas apontam que o desafio da nova presidente ampliará a inserção internacional do banco e projetos ligados ao meio ambiente, além de driblar o impacto geopolítico das retaliações ocidentais à Rússia, um dos sócios-fundadores do NDB.




