
A fila de pedidos de aposentadoria, pensões e outros benefícios no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) voltou a crescer e já atinge 2,6 milhões de segurados à espera de resposta. Segundo o presidente do órgão, Gilberto Waller Júnior, o número de novas solicitações tem aumentado cerca de 10% ao mês desde maio, passando da média histórica de 1 milhão para 1,3 milhão de pedidos.
Waller afirma que o crescimento da demanda é um dos motivos que o levou a solicitar mais recursos aos ministérios da Previdência Social, Casa Civil e Fazenda. Ao todo, R$ 287 milhões foram liberados para manutenção de agências, Central 135 e pagamento de bônus a servidores. Porém, parte desse valor ainda não garante a volta do Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB), que remunera funcionários por análises extras de processos.
A mais recente liberação, de R$ 63 milhões, publicada nesta sexta-feira (7), será destinada ao pagamento de perícias judiciais, limpeza e segurança das agências.
O presidente do INSS explica que o crescimento está ligado a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que ampliou o acesso ao salário-maternidade para trabalhadoras autônomas. Desde 2023, basta realizar apenas um pagamento ao INSS para ter direito ao benefício. Antes, a regra exigia pelo menos 10 contribuições.
Mulheres que tiveram filhos nos últimos cinco anos e foram impedidas de solicitar o benefício, agora regularizaram a situação — e isso aumentou a demanda.
A crise orçamentária do INSS ficou visível em 15 de outubro, quando Waller suspendeu o PGB por falta de recursos. O programa foi responsável por agilizar concessões de benefícios e reduzir a fila. Sem ele, servidores deixaram de realizar análises fora do expediente e o impacto foi imediato.
O presidente pediu R$ 89,1 milhões extras para manter o sistema, mas o valor não foi liberado. O Ministério da Previdência solicitou explicações sobre os gastos.
Apesar da fila crescente, Waller Júnior destacou que o tempo médio de concessão caiu para 42 dias, abaixo do prazo legal de 45 dias. Ele atribui isso ao uso de inteligência artificial e sistemas automatizados, que permitem aprovar benefícios em até 48 horas, quando toda a documentação está correta.




