“Se Dilma cair, Temer também cai. Aí fica quem? O Cunha?”, avalia Pezão

O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), acredita que se houver impeachment de Dilma Rousseff a Presidência da República não será entregue ao PMDB. Segundo ele, o vice-presidente, Michel Temer, também será afastado.

“Você acha que vai cassar um e não cassar o outro? Duvido que eles deixem ficar o Michel. Aí vai ficar quem? O Eduardo Cunha?”, questionou Pezão, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

Pezão, que é considerado o principal aliado da presidente, destacou que Dilma deveria ter feito “um pacto pelo país”, incluindo líderes da oposição, depois de ter sido reeleita. Mas o governador avalia que Dilma foi convencida pelo PT a não ampliar a base de apoio.

O governador destacou que acha difícil acontecer o impeachment. “Ela [Dilma] é uma pessoa séria e honesta. É tanto disse-me-disse. Não quero que ninguém passe pelo que estou passando. Entrei na Lava Jato, meu inquérito tem 450 páginas, por um cara que era coordenador da campanha do Lindbergh [Farias] falar que eu ouvi o Sérgio [Cabral, ex-governador] pedir R$ 30 milhões. Nunca teve essa conversa. Nunca vi Fernando Baiano, nem sei quem é. Nunca vi [o doleiro Alberto] Youssef. Aí você vê que a Polícia Federal vai lá no Youssef, que diz “ah, não, foi o Paulo Roberto [Costa, ex-diretor da Petrobras]”. Aí abrem um inquérito. Os caras entraram, reviraram meu telefone, meu cartão de crédito. Estou muito escaldado para essas coisas”.

Em relação à atuação da Polícia Federal com o ex-presidente Lula, Pezão disse que achou natural. “Não tem como o político hoje fugir disso. Ele se submeteu a esse risco. Não tem jeito de a gente não se submeter”.

Ainda durante entrevista à publicação, Pezão falou sobre a delação do senador Delcídio do Amaral: “É tanto disse-me-disse. Tem que esperar decantar um pouco. Essas coisas depois não se confirmam. Tem que ver se teve a delação. Eu já entrei numas três [delações]. Prefiro esperar para ver o que é verdadeiro”.

*NM