Bolsonaro ameaça demitir Onyx e estuda usar cargo em disputa na Câmara

Enquanto costura com aliados para que um candidato governista vença a eleição do Congresso em fevereiro, o presidente Jair Bolsonaro avalia cenários para uma provável reforma ministerial e reafirma a proibição de que o governo fale em Renda Brasil ou Renda Cidadã, um programa para substituir o Bolsa Família e tentar contemplar o público que beneficiado pelo auxílio emergencial. No último dia 29, o presidente evidenciou sua ordem ao repetir que daria “cartão-vermelho” para quem falasse em Renda Brasil. “O que eu falei três meses atrás está valendo. Quem falar em Renda Cidadã, cartão vermelho”, disse.

Da primeira vez que ameaçou uma demissão a ordem parecia ser ao ministro Paulo Guedes (Economia), mas na realidade foi ao secretário dele, Waldery Rodrigues, que trabalhava para encontrar uma solução para o fim do auxílio emergencial em dezembro. Agora, porém, interlocutores do presidente garantem que a ameaça foi direcionada ao ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, que havia prometido publicamente o anúncio do Renda Cidadã para esse mês.

Guedes e Bolsonaro, porém, decidiram, pelo menos por enquanto, que o auxílio emergencial acabará em dezembro e que, a partir de janeiro, o Bolsa Família voltará ao modelo anterior. No Palácio do Planalto, a visão é de que Onyx demorou para entender o recado e por isso o presidente teve que reforçar a ameaça. No ministério da Economia há a certeza de que a nova ameaça foi enviada ao Ministério da Cidadania. “Esse cartão ai agora não foi para nós”, disse o ministro a membros de sua equipe.

Aliado leal

Bolsonaro sempre deixou claro que Onyx conta com sua gratidão e que vê seu ministro como um aliado leal. Onyx, que é do DEM, embarcou na campanha de Bolsonaro ainda quando as chances de o presidente ser eleito eram consideradas remotas.

Apesar disso, o fraco desempenho de Onyx à frente da Casa Civil – tido como um dos ministérios mais importantes – obrigou Bolsonaro a tirar o aliado do Palácio do Planalto. Foi quando, em fevereiro do ano passado, ele acabou sendo contemplado com o ministério da Cidadania, pasta que cuida de políticas sociais como o Bolsa Família.

Fontes do governo consideram quase imperativo que haja alguma readequação nos quadros ministeriais no início de 2021 e afirmam que é natural que se faça algum tipo de ajuste na equipe no começo de um novo ano. As mudanças mais apontadas atualmente seriam a transferência de Ricardo Salles do Meio Ambiente para o Turismo e uma substituição de Ernesto Araújo, no Ministério das Relações Exteriores.

Fonte: UOL