Lavar a alma dói – Por Gilnês Sampaio

Estar diante dos meus sentimentos mais profundos e densos, não tem sido fácil. Se trabalhar dá cansaço físico e mental, ficar em casa, pra mim, dói o coração. Tenho estado diante dos meus maiores aprimoramentos, como ser humano, como mãe e filha, 24 horas. Tem sido um grande desafio, quem sabe o maior que já experimentei: dormir e acordar com meu filho especial, passar o dia ao lado da minha mãe de 93 anos com Alzheimer. Ouvir cada solicitação e nem sempre poder atender. Conviver com a possibilidade do risco de contaminação e, pior ainda, perder meus grandes tesouros. Mãe, aquela que me deu a vida, Neto, o filho que me deu humanidade. Acordar e me certificar que a vida não pára, que amanhã é outro dia e eu preciso ser melhor e, portanto, diferente. RENOVAÇÃO é a palavra.
Renovação interior, novo olhar. Certificar- me que nada é meu. Tudo é do Pai – DEUS.
Nesse lindo processo de LAVAR A ALMA, faço uso das palavras do Rev. Francisco Jésus Fernandes (in memória):
“É preciso passar por uma metamorfose lenta e segura, pra voar como borboleta madura.
Olhar pra trás e encontrar escrito no antigo casulo: Aqui jaz um inseto incerto e quase nulo.
Olhar em frente e ver novamente: Aqui há uma libélula de LUZ que faz jus ao PODER DA CRIAÇÃO.”

Gilnês Silva Sampaio

Psicanalista Clínica