Volta às aulas presenciais pode ser seguro? Confira o que diz especialistas em SAJ

Com a vacinação contra a Covid-19 avançando, cresce uma defesa muito forte de que a retomada da educação de forma presencial pode ser segura. Já que diversos outros países já deram esse passo e demonstraram que o ambiente escolar é um foco de disseminação do vírus.

No Brasil, estados como o Amazonas e São Paulo já ensaiaram uma retomada das aulas presenciais e o progresso do ano letivo, no entanto, ainda estão em alerta, já que mesmo com a imunização, o número de novos contaminados pelo vírus só aumenta.

Na capital baiana, o prefeito Bruno Reis autorizou o retorno das aulas presenciais, com o cumprimento de protocolos e medidas de vigilância a saúde, no entanto, a APLB, sindicato dos professores e profissionais da educação é contra a volta às aulas, a menos que todos os profissionais sejam vacinados.

Em entrevista ao Programa do Valente desta quinta-feira, a professora Jucilane Barreto, diretora da APLB em Santo Antônio de Jesus reiterou a postura do sindicato e critica a postura daqueles que deveriam defender a educação e estão pregando a retomada das aulas sem ao menos ter segurança a saúde de todos os envolvidos, seja ele o profissional da educação como também os alunos.

“Não entendo essa discussão para o retorno ás aulas. Temos em nossa cidade dois comitês formados dos quais o legislativo faz parte para esse tipo de discussão. Não é preciso pressa. Temos que ter muito cuidado com esta situação, pois, estudos científicos já comprovaram que a criança é sim um vetor para o vírus”, pontuou.

Para a secretária de educação no município, professora Renilda Barreto, neste momento, as escolas são vetores de contaminação e é preciso um estudo minucioso e com cautela em relação a reabertura das instituições.

“Não podemos, de forma alguma, fazer estudos em base de achismos ou partidarismo, e sim em dados epidemiológicos”, salientou.

A secretária acrescenta ainda que os comitês formados no município para debater o avanço da pandemia e seus impactos tem tratado de forma perene uma forma de retomar todas as atividades na cidade, principalmente a educação, consciente e segura para os profissionais de educação e a comunidade estudantil e que o ensino presencial retorne. Renilda ressaltou ainda que há uma grande necessidade para que as aulas presenciais sejam efetivadas, para garantir a saúde mental, dos estudantes e também dos profissionais de ensino.

“Nenhum de nós, professores e profissionais envolvidos, queremos continuar no ensino remoto. As aulas online são prejudiciais para toda a comunidade, a comunidade estudantil e nós trabalhadores da educação. Entretanto precisamos discutir exaustivamente esta pauta para chegarmos a um acordo qualificado, porque estamos lhe dando com vidas”, declara.

A saúde mental, não só dos alunos como também dos professores é um ponto bastante discutido sobre a brevidade da retomada da educação.

O vereador, advogado e também professor, Dr. Caique ressalta a importância da retomada das aulas presenciais dede que haja uma conscientização nas medidas de segurança e a preparação das escolas para recepcionar os estudantes.

“É preciso de planejamento e reestruturação. Precisamos enriquecer esse debate e nos juntar para que a volta às aulas seja segura”, coloca.

O Vereador e professor Uberdan Cardoso disse que seu posicionamento será sempre em favor da saúde e da vida. O edil ressaltou que não há segurança para uma retomada nas atividades nas escolas com uma pandemia avançando em novos picos. Cardoso expôs o número de óbitos, novos casos e número de pessoas contaminadas no município, o que, segundo ressaltou, é um ponto importante para que não haja progresso nas discussões.

“Sou contra a volta às aulas. Não é só uma questão de segurança para o professor, é também para a sociedade. Mesmo com a imunização de todos os profissionais da educação, ainda é preciso discutir e analisar. A vacina é uma estratégia coletiva e não se pode setorizar. É um erro”, enfatizou.

Já a médica Mariana Terra defende o retorno das aulas, com medidas de segurança e cautela como o distanciamento de alunos na sala de aula. Para Mariana a paralisação das escolas irá prejudicar os estudantes a longo prazo.

“É preciso ter prioridade no ensino. Esses dois anos parados irá repercutir em 20. Temos que pensar nas crianças de colégios públicos que não tem internet, computador, não tem um professor e alguns pais são até analfabetos. Temos que nos programar para voltarmos as aulas imediatamente, mas de forma segura”, colocou.

Confira debate completo: