Hospital Albert Einstein proíbe médicos de dar cloroquina a pacientes com Covid

Um dos principais hospitais do Brasil interrompeu o uso de cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento de pacientes da Covid-19.

O aviso foi enviado por e-mail para médicos que atendem no Hospital Albert Einstein.

Chamada de “alerta de segurança”, a mensagem diz: “frente ao recente comunicado divulgado pela agência americana FDA revogando a autorização de utilização emergencial de hidroxicloroquina e cloroquina, os especialistas do hospital não recomendam o uso dos medicamentos em pacientes com Covid-19”.

O texto diz ainda que os estudos sobre cloroquina e hidroxicloroquina “não mostraram diferenças em relação ao tratamento padrão e que os benefícios do uso dos medicamentos não superaram os riscos conhecidos e potenciais, além de um estudo controlado não demonstrar evidência de benefícios em relação à mortalidade, tempo de internação ou necessidade de ventilação mecânica”.

Na semana passada, a FDA cancelou nos Estados Unidos a autorização de uso emergencial dos dois medicamentos para o tratamento de pacientes com Covid-19.

A revogação veio quase três meses depois de a agência aprovar o uso emergencial, em meio à pressão do presidente Donald Trump. Ele e o colega brasileiro, Jair Bolsonaro, deram várias declarações defendendo o uso da cloroquina.

O Hospital Albert Einstein foi o primeiro do Brasil a tratar, no fim de fevereiro, pacientes diagnosticados com Covid-19. De lá para cá, segundo o hospital, a cloroquina foi administrada em três circunstâncias: pacientes que participavam de uma pesquisa sobre os efeitos do medicamento, e que deve ter o resultado divulgado nas próximas semanas. Pacientes graves, que não respondiam a nenhum outro tratamento e também no modo “off label”, ou seja, fora da prescrição da bula. Isso agora não é mais recomendado.

Dos 876 pacientes internados com Covid-19 até agora no Einstein, o presidente do hospital diz que poucos usaram cloroquina.

“Foi apenas nos casos que são graves. Portanto, uma minoria já, porque os casos graves são minoria. Nós entendemos que não há nenhum tipo de publicação científica que demonstre um benefício da sua utilização e, portanto, frente aos efeitos colaterais que já são conhecidos, não há benefício ao paciente a sua utilização”, explica o presidente do Hospital Albert Einstein, Sidney Klajner.

O principal efeito colateral é a arritmia cardíaca, que, segundo os médicos, pode levar à morte.

A mudança de postura do hospital foi elogiada por infectologistas e médicos intensivistas.

“Se eu tomar água com açúcar e tomar hidroxicloroquina, a resposta vai ser a mesma. Então para que eu vou oferecer efeitos colaterais pra um paciente, se ele não vai ter paciente nenhum?”, questiona o coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia, Sérgio Cimerman.

“A coisa mais importante dentro da terapia intensiva para que esse paciente evolua bem é primeiro: que ele chegue no momento certo. Segundo: é que ele encontre uma equipe bem treinada e bem qualificada para poder cuidar desse paciente bem. Isso é muito mais importante do que drogas que não tenham comprovação científica de benefícios para os pacientes com essa condição”, explica Ederlon Rezende, da Associação de Medicina Intensiva Brasileira.

O Jornal Nacional não conseguiu contato com o Ministério da Saúde. A última atualização no site do ministério sobre o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina orienta o uso dos medicamentos no tratamento precoce de pacientes da Covid no SUS em casos leves, moderados e graves.

A Anvisa declarou que já aprovou a condução de quatro estudos para a cloroquina e a hidroxicloroquina no Brasil para averiguar a segurança e a eficácia do tratamento.

Fonte G1/ Jornal Nacional




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