Virgilio diz que prefeituras priorizam artistas que fazem sucesso com uma única música em vez de investir em quem mantém o forró vivo

Cantor critica cachês milionários e defende valorização de forrozeiros locais; para ele, o dinheiro de festas deve circular entre músicos locais, não sair do estado.

Virgilio criticou neste domingo (29) os altos valores pagos a artistas que fazem sucesso com uma única música. Durante entrevista ao Blog do Valente, ele afirmou que muitos músicos da terra recebem cachês baixos, enquanto artistas de fora são contratados por cifras que chegam a ultrapassar R$ 1 milhão.

Foto: Reprodução / Blog do Valente

“Eu, graças a Deus, trabalho numa empresa que tem muito, muito, muito, muito valor, que cuida da minha carreira, e quando eu estava sozinho, o meu cachê era lá embaixo, com ele, eles sabiam o valor que eu tinha, mas não queriam pagar. Mas para qualquer um que faz sucesso com uma única música, já 500 mil, 600 mil, 800 mil, 1 milhão e 100, 1 milhão e 200. Então, às vezes, as prefeituras reclamam que não têm uma cesta básica para dar para o povo da cidade”, afirmou Virgilio.

O cantor destacou que, com a contratação em massa de artistas de fora, recursos públicos saem do estado, enquanto os forrozeiros, músicos regionais e da cultura nordestina ficam à margem dos grandes eventos promovidos por prefeituras.

“Para quê tirar, botar dez artistas de fora, o mais barato? Que custa trezentos mil reais, não é? E a cidade às vezes precisa de uma rua calçada e lá se vai dez, doze milhões só numa cidade pra se pagar a artista de fora do nosso estado pra levar todo o dinheiro que podia repartir, não dar todo pra nós, mas pagar também um cachê digno pros artistas da terra”, declarou.

Virgilio também citou que seu próprio cachê só foi valorizado após entrar para uma empresa de gerenciamento artístico, o que escancara, segundo ele, a desvalorização dos artistas locais quando atuam de forma independente. O cantor defende que o investimento em artistas regionais fortalece a economia local, valoriza a identidade cultural e mantém viva a tradição do forró.