Dançarina é presa no Egito por usar ‘técnicas de sedução’ com dança do ventre

Com mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, a dançarina italiana Linda Martino, conhecida por suas apresentações de dança do ventre, foi presa no Egito sob a acusação de “imoralidade”. Radicada no Cairo há quatro anos, Linda foi detida pelas autoridades egípcias há cerca de duas semanas, após a divulgação de vídeos considerados ofensivos aos “valores da família e da sociedade”, segundo o Ministério Público local.

De acordo com a promotoria, a bailarina teria utilizado “técnicas de sedução” e “exposto áreas sensíveis” do corpo durante performances em casas noturnas, cuja repercussão em plataformas digitais como Instagram e TikTok chamou atenção do governo. Um dos vídeos, que viralizou recentemente, teria motivado a abertura da investigação, com a acusação formal de que os movimentos e figurinos utilizados “fazem alusão sexual” e atentam contra a “decência pública”.

Linda Martino, no entanto, nega todas as acusações. Segundo a defesa, a artista atua dentro dos limites legais da profissão no Egito e afirma que seus conteúdos têm caráter estritamente artístico e de entretenimento. A dançarina permanece detida preventivamente em uma prisão no Cairo, enquanto o processo segue em andamento.

A dança do ventre, embora não seja ilegal no país, é frequentemente alvo de repressão quando vinculada a conteúdos online considerados contrários à moral islâmica. Nos últimos anos, o governo egípcio tem intensificado a vigilância e as punições contra influenciadores digitais e criadores de conteúdo, especialmente mulheres, sob a justificativa de proteger os “valores tradicionais”.

O caso de Linda reacende o debate sobre liberdade de expressão, arte e os limites impostos pelas normas religiosas e culturais em países conservadores. Organizações internacionais de direitos humanos têm acompanhado de perto a situação e devem se manifestar nos próximos dias.