PM prende homem que tirou foto de restos mortais de policial no Nordeste

A Polícia Militar prendeu no final da noite de quarta-feira (13), um homem suspeito de tirar foto do corpo do cabo PM Gustavo Gonzaga da Silva, morto e torturado no último sábado (9) no bairro da Santa Cruz no Complexo do Nordeste de Amaralina em Salvador. As imagens, que circularam por redes sociais, mostram o corpo do militar no chão com pedaços cortados e aberto na altura do peitoral. Ao contrário do que chegou a ser divulgado no dia da morte do militar, de acordo com o Departamento de Polícia Técnica (DPT) nenhum órgão dele foi retirado

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) Leandro dos Santos Souza, 20 anos, foi localizado, no final de linha da Santa Cruz por viatura das Rondas Especiais (Rondesp) Atlântico.

No celular ainda foram achadas imagens repassadas pelo WhatsApp. “Os militares patrulhavam quando receberam uma denúncia anônima indicando que Leandro estava, no bairro. Com o criminoso foram apreendidos 36 pinos de cocaína, 200 pedras de crack e R$ 66. Seguimos no bairro cumprindo a missão de prender todos os traficantes envolvidos na morte do nosso eterno colega. Moradores, continuem denunciando”, afirmou o comandante da Rondesp Atlântico, major Edmundo Assemany.

Polícia afirma que Leandro tirou e repassou fotos do corpo do policial morto. Foto: Divulgação- SSP/BA

 

Já na tarde de quarta-feira (13) um homem de aparentemente 23 anos foi baleado por policiais das Rondas Especiais (Rondesp) no bairro da Santa Cruz, nas proximidades do Colégio Artur de Sales.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado no posto da Polícia Civil do Hospital Geral do Estado (HGE), o jovem deu entrada na unidade de saúde depois de ter sido alvejado duas vezes no tórax, um no peito e outro no ombro. Não há informações sobre o estado de saúde dele.

Ainda de acordo com a ocorrência, os policiais faziam rondas na região quando avistaram cerca de 10 homens armados, que atiraram contra a equipe.

Com o jovem, a polícia encontrou um revólver calibre 38, marca taurus, carregado com cinco projéteis, além de uma quantidade de maconha e R$270.

Cinco mortos deste sábado (9)
Desde o assassinato do cabo Gustavo Gonzaga da Silva, 44 anos, que foi torturado e mutilado no último sábado, o Nordeste de Amaralina registrou cinco mortes de suspeitos em supostos confrontos com policiais militares.

Duas das mortes foram na madrugada de ontem, no final de linha do Nordeste: Anderson Silva Machado, 19 anos, foi atingido por disparos de arma de fogo na região do tórax. Ele estava com  Rafael Souza Bispo Santos, que também foi atingido no tórax. Segundo a ocorrência registrada no posto policial do Hospital Geral do Estado (HGE), a polícia fazia rondas na região quando avistou as vítimas, que estavam armadas na versão da PM.

Ao perceber a presença da guarnição, houve troca de tiros e eles acabaram atingidos. As vítimas foram socorridas para o HGE, mas não resistiram. Com eles, a polícia afirmou ter encontrado duas pistola, 211 pinos de cocaína e um tablete de maconha prensada.

Ocorreram outras duas mortes anteontem: Wesley Santos Batista da Silva, 22, atingido por disparos de arma de fogo também no tórax, na Rua Hélio Lacerda; e um homem não identificado, que foi alvejado dentro de uma casa na Rua Emídio Pinho.

No sábado, após a morte do cabo no final de linha da Santa Cruz, um homem conhecido como Budigo também foi morto e apontado pela Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA) como suspeito de participar da morte do PM. No entanto, o envolvimento de Budigo ainda não foi confirmado.

Em nota, anteontem, sobre a operação da PM no complexo do Nordeste – que inclui os bairros de Santa Cruz, Vale das Pedrinhas e Chapada do Rio Vermelho, além do Nordeste -, a SSP informou a prisão de seis suspeitos, dois deles na tarde de ontem.

Magno dos Santos Araújo, o Homem Pedra, que tinha prisão preventiva decretada por homicídio, e Diego Emiliano Pereira Serrado foram capturados por homens do Pelotão Especial Tático Ostensivo (Peto) da 40ª CIPM (Nordeste de Amaralina). Segundo a polícia, os dois estavam em uma localidade conhecida como Escadaria do Espetinho e foram flagrados com porções de maconha e R$ 75 em moedas.

 Retaliação
O último fim de semana na capital registrou 30 mortes, o que o colocou como o mais violento do ano até aqui. A lista sangrenta inclui homens (o cabo Gonzaga entre eles), quase todos moradores da periferia de Salvador e Região Metropolitana, com idades entre 15 e 29 anos. De acordo com o secretário da Segurança Pública, Maurício Barbosa, a SSP investiga se a onda de violência seria uma retaliação pela morte de dois policiais militares – além do cabo Gonzaga, o também cabo José Luiz da Hora, 51, que foi morto na quinta passada, em São João do Cabrito.

Sobre a morte de José Luiz, circulou entre os grupos de policiais no WhatsApp áudios que sugerem a participação de PMs, que teriam confundido o cabo com assaltantes. O caso está sendo investigado.

Ainda de acordo com o secretário Maurício Barbosa, a SSP investiga até mesmo a possibilidade de ação de um grupo de extermínio. Ele destacou que foi um fim de semana “atípico” – especialmente por sair de uma sexta-feira em que não houve nenhum assassinato para registrar 17 no dia seguinte.

 Patrulhamento
No Vale das Pedrinhas, a presença policial foi feita ontem por viaturas da 40ª CIPM (Nordeste de Amaralina), responsável pelo policiamento ostensivo no complexo. “A determinação da Secretaria da Segurança Pública é sufocar o tráfico de drogas local e continuaremos 24h no bairro, patrulhando”, afirmou o comandante da Rondesp Atlântico, major Edmundo Assemany, em referência às áreas da Santa Cruz e do Nordeste de Amaralina.

O comandante da 40ª CIPM, major Amilton Souza Teixeira Júnior, informou que as operações no complexo não têm prazo determinado. “Todos tinham envolvimento com o tráfico e tinham passagem na polícia”, disse o comandante sobre as quatro mortes de suspeitos ontem e anteontem.

“Ainda não dá para dizer se esses que morreram no confronto têm ligação com a morte do cabo (Gonzaga)”, afirmou o comandante.

Em nota, a Polícia Militar informou que, na madrugada de ontem, policiais militares da Companhia Independente de Policiamento Tático (CIPT)/ Rondesp Atlântico) faziam patrulhamento no Largo do Elite, na Santa Cruz, “e, com a aproximação da viatura, um grupo de indivíduos começou a atirar contra os policiais militares”. Dois foram baleados (Anderson e Rafael), levados ao HGE, mas não resistiram. Os outros integrantes do grupo fugiram, segundo a PM, sem citar quantos homens teriam fugido.

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