RJ: Milicianos tiravam selfies com vítimas antes de elas serem executadas

 

Investigações da Polícia Civil apontam que milicianos que atuam no Município de Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, tiravam fotos de suas vítimas momentos antes de executá-las.

O grupo é comandado pelo miliciano Orlando Oliveira de Araújo, conhecido como Orlando Curicica, alvo de operação na última quinta-feira (4). A Polícia Civil acredita qu

Os policiais apontam que a organização criminosa é responsável por vários casos de tortura, assassinato e desaparecimento de pessoas. O grupo chamava essas vítimas de “discos voadores”, porque sumiam de uma hora para outra.e a quadrilha pode ter matado cerca de 50 pessoas. As investigações mostram que alguns assassinatos são recentes.

Um parente de uma pessoa que foi atacada pelo bando contou que os milicianos não poupavam na crueldade com as vítimas.

“Pegaram meu enteado e deram umas porradas nele. Deram uns tapas na cara dele aqui. Quase mataram o garoto”.

As investigações também mostram que os milicianos usavam até uma espada para torturar e executar vítimas. Segundo o Ministério Público, há informações de que algumas das vítimas foram degoladas ou tiveram o coração arrancado.

14 corpos em cemitério clandestino

Nesta sexta, Policiais da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo encontraram um cemitério clandestino em Itaboraí. Até as 19h30, 14 corpos haviam sido encontrados, alguns em processo de decomposição, e ossadas.

Na última quinta-feira (4), o grupo criminoso foi alvo da Operação Salvator, que cumpriu 43 mandados de prisão. Entre os presos estava Vilson Alves Andrade, conhecido como Pastor Vilson.

A polícia diz que ele era responsável por cobrar 10% de todas as negociações envolvendo imóveis na área dominada pela quadrilha, como mostra um áudio a que a reportagem do RJ2 teve acesso.

“Tô conversando com todo mundo que tá passando a casa pra mim: ‘Olha, tem que passar uma situação, tem que pagar 10%, tem que ligar pro menino, entendeu?’, diz pastor Vilson em uma gravação.

As investigações mostram também que os moradores da região eram obrigados a aumentar o preço dos imóveis para pagar a comissão da milícia.

“Ô, rapaz, eu tava vendendo a casa dele, até tirou de venda, porque a mulher disse que ia comprar, terminou não comprando. Ele reformou a casa dele lá dentro e ela não ficou com a casa dele. Agora, eu vou pegar de novo. Ele botou por R$ 20 mil, cobrou R$ 24 mil e falou: ‘Olha, isso aqui é pra dar pros meninos'”, disse pastor Vilson.

O promotor de justiça Rômulo Santos Silva explicou como a organização funciona. “É uma organização criminosa amplamente estruturada. Eles tinham divisão de tarefas, tinham o responsável pela gerência contábil. Eles são estruturados, fortemente armados, violentos e dominaram o território de Itaboraí em um ano, um ano e meio”, disse o promotor.

Fonte G1 RJ