“A nova Previdência é o portal da prosperidade”, diz Onyx Lorenzoni

Prestes a completar 100 dias, em 11 de abril, o governo Jair Bolsonaro conseguiu fechar a semana com um respiro em relação a controvérsias e troca de chumbo entre aliados e parlamentares. A dúvida é quanto tempo a trégua vai durar, até a próxima troca de tuíte ou declaração agressiva. Mas não para o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, 64 anos. Para ele, os atritos eram esperados, mas a tendência é que as polêmicas decantem e a reforma da Previdência — o principal projeto do Planalto — avance no Congresso e seja aprovada antes do recesso de julho.

“É preciso tempo, paciência, resiliência e humildade”, disse Onyx em entrevista ao Correio, ao final da tarde da última sexta-feira, em seu gabinete, no quarto andar do Palácio do Planalto. Pouco antes de receber a reportagem, o ministro trabalhava com a organização do anúncio dos 100 primeiros dias do governo Bolsonaro. “Vem aí o revogaço”, diz ele, referindo-se à revogação de mais de 200 decretos do Poder Executivo, de forma a simplificar a vida do cidadão.

Quanto aos sobressaltos que o governo passou em tão pouco tempo e às resistências a pontos da reforma, ele é direto: “Nenhum projeto de nenhum governo passa incólume pelo Parlamento. Vamos discutir na comissão de mérito”, diz ele, citando o texto do governo não como uma reforma, nos moldes das gestões passadas, mas uma mudança total no sistema previdenciário do país. E, num caso desses, os sobressaltos ocorreriam. “Isso era perfeitamente previsível. A gente sabia que ia ser complexo. A alta burocracia se defende, porque burocracia significa proteção e poder”, comenta, ao ressaltar que a “nova Previdência” exige um pacto pelo Brasil. “Ou vamos ser a Grécia e mergulhar no abismo ou vamos ser o Portugal, que em um belo dia cortou 30% de pensões de aposentadorias. Os portugueses gritaram, choraram, mas o que aconteceu? Tiveram que aguentar. Imagina cortar 30% de pensão hoje!”

Questionado se faria comemorações ontem, 31 de março, Onyx disse que a “sociedade brasileira, majoritariamente, escolheu o caminho da democracia e para evitar o processo que vinha da Guerra Fria”. Segundo ele, “todo mundo sabe da história”. “As pessoas sabem que nunca lutaram contra a democracia, lutaram contra a ditadura comunista. “A democracia não tava no horizonte. Foi necessário aquele movimento”, diz ele, que atacou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que na sexta-feira denunciou Bolsonaro por recomendar que se promova uma “comemoração adequada” do golpe. “Um absurdo, eu fico triste de ver que a entidade como a OAB se presta a isso. As pessoas do mundo todo vão rir do Brasil, não tem nenhum sentido. A OAB deveria cuidar das coisas do Brasil, deixa a ONU para lá.” Por Ana Dubeux, Denise Rothenburg e Leonardo Cavalcanti/Correio Braziliense