Banco Mundial diz que programas sociais e ajuste fiscal não são incompatíveis

Relatório divulgado hoje (24) pelo Banco Mundial diz que, mesmo com as dificuldades fiscais, o Brasil pode manter os programas sociais que beneficiam a parte mais pobre da população. No entanto, segundo o documento Retomando o Caminho para a Inclusão, o Crescimento e a Sustentabilidade, para a manutenção dessas ações é necessário cortar gastos com setores mais favorecidos economicamente.

“Ajuste fiscal e progresso social não são contraditórios”, diz o texto.

Para o especialista em setor público do Banco Mundial, Roland Clark, as medidas de suporte às camadas mais pobres têm um impacto relativamente pequeno no orçamento público. “A inclusão social é muito barata. O Bolsa Família e os programas que realmente ajudam os pobres são muito baratos. O que é caro são os programas que ajudam os ricos”, disse Clark durante a apresentação do relatório.

De acordo com o documento, “as transferências para empresas, inclusive renúncias e transferências fiscais implícitas por intermédio dos bancos estaduais superam 5% do PIB [Produto Interno Bruto], ou o equivalente a quase 14% dos gastos primários”.

Além das desonerações e subsídios para empresas, Clark apontou a carga tributária como um fator que amplifica a desigualdade social no país. “O sistema tributário tende, necessariamente, a favorecer o rico em detrimento do pobre”, disse.

(EBC)