
Não é de agora que os serviços prestados pelos Correios vêm acumulando uma série de reclamações por parte dos usuários e perdendo a qualidade que por muitos anos foi referência. Seria a crise também batendo na porta? Em março, a empresa anunciou medidas para economizar cerca de R$ 1,6 bilhão e sair do vermelho. Junto a isso, veio a notícia do fechamento aos sábados de 685 das 700 agências próprias que funcionavam neste dia e, segundo a empresa, davam prejuízo. Ou seja: apenas 15 unidades dos Correios em todo o país abrem aos sábados.
A medida, no entanto, não vale para as pouco mais de mil agências franqueadas, que têm a opção de funcionar ou não. Mas é inegável que as mudanças já causam piora considerável na qualidade do serviço.
Dois dias para enviar
Mesmo nas unidades abertas aos sábados, a situação do cliente é difícil. O empresário Paulo Teixeira conta que não conseguiu enviar uma encomenda. “Sábado passado, eu precisei enviar um Sedex. Cheguei no Correio Central, na Pituba, mas estava fechado. O atendente falou que eu poderia ir numa loja ali por perto enviar o Sedex, mas só seria triado na segunda”, reclamou.
“Tive que despachar como encomenda na Tam”
O empresário conta que, mesmo tentando outros serviços propagandeados pelos Correios, recebeu a mesma resposta. “Eu falei: ‘Nem Sedex 10?’ O atendente: ‘De jeito nenhum’. Eu: ‘E se eu for no aeroporto?’. E ele respondeu que seria seria a mesma coisa. Eu iria até o aeroporto, postaria, mas eles só pegariam pra trabalhar o produto na segunda-feira e só chegaria na terça. E eu precisava da encomenda na segunda cedo em São Paulo, no meu fornecedor. Tive que correr com meu carro no aeroporto, no Terminal de Cargas, e despachei como encomenda pela TAM. Minha vida toda eu enviei Sedex no sábado e nunca teve isso”, contou Paulo.
Fusões e transferências
Em março, os Correios informaram que havia a possibilidade de fundir agências e unidades próximas e realocar funcionários para diminuir os prejuízos.
Foi o que aconteceu com o Centro de Tratamento de Cartas de Feira de Santana, extinto em abril. Os funcionários foram transferidos para a unidade da Via Parafuso, na Região Metropolitana de Salvador. Os Correios alegaram que a extinção foi realizada para centralizar e otimizar as operações.
SAC ou agência, tudo igual: “não me dizem nada”
O ouvinte Gilmar Rodrigues está com uma encomenda há 13 dias retida na unidade central dos Correios, na Pituba. À Metrópole, ele relata que, na agência, encontrou outros clientes reclamando de atrasos. “Estive ontem na Central, na Pituba, e tinha um pessoal muito revoltado. Gente com 30 dias de encomenda presa lá. Peguei minha senha e não resolvi meu problema. A encomenda está lá desde o dia 29 de junho e não consegui tirar. Não me dizem nada. Inclusive, liguei pro Serviço de Atendimento ao Cliente dos Correios e informaram que eu tinha que aguardar”, lamenta.
Correio argumenta que problema é só em Salvador
Procurado pelo Jornal da Metrópole, os Correios afirmaram que os problemas em relação a atraso são restritos a Salvador. “Especificamente com acúmulo de carga em duas unidades de distribuição, os Centros de Entrega de Encomendas Salvador e Comércio, entretanto esta situação será sanada com um mutirão que será realizado no próximo final de semana (dias 16 e 17 de julho) para regularização das entregas. As dificuldades atuais são reflexos da desativação do Centro de tratamento de Cartas e Encomendas de Feira de Santana, que teve toda a sua carga transferida para tratamento no novo Centro de Cartas e Encomendas de Salvador, porém por conta de uma liminar da Justiça do Trabalho, os Correios foram impedidos de transferir os 69 empregados que fariam esse tratamento. Para enfrentar essa dificuldade a empresa está fazendo mutirões e remanejando empregados, para minimizar os transtornos”, disse. (Metro1)


