Lula ‘abraçou o PMDB’ para evitar sofrer impeachment, diz Delcídio

rtemagicc_8b3e870eac-jpgEm depoimento gravado na investigação da Operação Lava Jato sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o delator premiado e ex-senador Delcídio Amaral contou como se deu o início da parceria PT-PMDB no governo federal. Segundo Delcídio, durante o mensalão, Lula ‘abraçou’ o PMDB para evitar o risco de sofrer seu próprio impeachment.

Delcídio relatou ainda a retirada dos nomes do ex-presidente Lula, e de seu filho Lulinha, do relatório final da CPI dos Correios. “Na reta final, existia o relatório que estava sendo preparado e propunha, entre outras coisas, o indiciamento do presidente Lula e de um dos filhos dele. Dentro de uma composição que foi feita, na véspera da votação do relatório, esse indiciamento… Esse tira e põe faz parte do dia a dia do Congresso. Não é uma coisa específica só da CPI dos Correios”, declarou.O ex-senador declarou que, no início da gestão Lula, o governo era “muito hermético” e ligado aos partidos que tinham levado o petista à Presidência, recusando a ideia de uma aliança com o PMDB. “Quando veio o mensalão, o Lula fez uma revisão das posições, dizendo assim: ou eu abraço o PMDB ou eu vou morrer”, disse. “Quando aí o PMDB veio fortemente para o governo. Estabeleceu tentáculos em toda a estrutura de governo. Não foi só na Petrobras, não. Assumiu Ministério de Minas e Energia, Eletrobrás, o setor elétrico, que nos governos anteriores era feudo do PFL, passou a ser feudo do PMDB”, completou.

Em nota, os advogados de Lula rebateram o delator. O texto cita reportagens para afirmar que ao contrário do que prega a lei, a delação de Delcídio não foi voluntária, pois ele teria sido forçado a fazer o acordo ao ser ser trancado em um quarto sem luz e respirado fumaça. E que as afirmações do ex-senador não são acompanhadas de provas. “No lugar da observância do devido processo legal, parece vigorar a opção dos procuradores da Lava Jato pelo linchamento midiático e político, prática inaceitável à luz da Constituição”, conclui a nota.

Fonte: Correio