O programa Andaiá Debate desta sexta-feira (14) fez uma grande reflexão acerca das polÃticas afirmativas para afro descendentes, como as cotas nas universidades públicas. O convidado Professor Dr. Roberto Matos, que atua no Curso de História na UNEB, comentou sobre o III Congresso de Pesquisadores Negros, o qual abordará não só este tema das cotas, como também toda a produção cientÃfica dos pesquisadores negros. Segundo Roberto Matos, já é o terceiro ano em que se realiza este evento, atualizando as discussões e aprimorando as relações raciais não só na Bahia, mas em todo o paÃs. Ele afirmou que o termo âÃfricasâ é utilizado no tema do Seminário Internacional, por que une, além dos paÃses deste continente, os paÃses em que os povos africanos se dispersaram (diáspora), levando a cultura africana para vários lugares do mundo. Outro convidado, o professor Me. Denilson Lessa comentou que há um descuido com o significado, no que diz respeito à s polÃticas de ações afirmativas para negros. Ele afirmou que foi muito custoso implantar as cotas para estudantes negros na UNEB, o que na época foi uma ação pioneira entre as universidades do paÃs. Para o professor, a cota é apenas uma entre as muitas ações afirmativas que podem ser feitas em favor da igualdade racial. DenÃlson refletiu a situação das comunidades periféricas de Santo Antonio de Jesus, onde a maioria dos moradores é negra, utilizando como exemplo o Bairro Irmã Dulce, que tem uma população de em média dez mil pessoas e não possui uma escola pública, isso, segundo ele, ilustra a falta de um olhar para comunidades como esta. O professor Roberto Matos explicou que a própria universidade já tem um histórico de ação afirmativa, pois foi a primeira a ter campus espalhados por várias cidades interioranas, isto, segundo ele, já foi um grande passo para a inclusão dos estudantes do interior que não tinham condições financeiras para estudarem na capital. Este perfil da UNEB de abrir caminhos para os excluÃdos levou a comunidade acadêmica a discutir e defender as cotas, que inicialmente surgiram apenas para os estudantes negros, em 2003 e logo depois, em 2008, foram inclusas as cotas para estudantes indÃgenas. Para o professor DenÃlson, as cotas são um meio de reparar os grandes danos que a comunidade negra teve com anos e anos de exclusão dos espaços acadêmicos, ele afirmou que é absurdo quando se fala em âcotas sociaisâ pois a questão racial também é um problema social, então não há como separar uma da outra.




