O leitor pode escolher entre as diversas alegações do governo para entender o recuo da presidente Dilma Rousseff na demissão do ministro dos Esportes, Orlando Silva â desde a alegada falta de provas de seu envolvimento direto nos desvios de verbas públicas até a perseguição pela mÃdia, passando pela desqualificação do seu denunciante.
Ou ainda pelo papel histórico do PC do B na luta pela redemocratização do PaÃs. Ou pela interferência da Fifa na soberania (sic) brasileira ao tratar Orlando Silva como ex-ministro.
Ou por todas elas.
Mas a causa é uma só: a ameaça do partido do ministro em agonia de sair da base aliada para declarar guerra ao PT agravando as denúncias contra o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, origem do esquema de corrupção no Ministério dos Esportes, ao qual Orlando deu curso.
A presidente sai desgastada do episódio, não só pelo recuo, mas também pela interferência direta do ex-presidente Lula no caso, impondo seu método do âcouro duroâ para que o ministro resistisse no cargo.
Além do poder de tutela exibido sobre a afilhada polÃtica, Lula levou o governo a uma inflexão no critério de intolerância com âmalfeitosâ que fora aplicado aos ministros dos Transportes, da Agricultura e do Turismo.
O que ocorre no Ministério dos Esportes em nada difere do que ocorreu anteriormente nos já citados e que sofreram intervenção do Planalto.
Ou seja, o PC do B fez exatamente o mesmo que o PR em relação ao qual pretende ser distinguido virtuosamente: apropriou-se das verbas ministeriais em benefÃcio próprio, via ONGs inidôneas, fazendo-as chegar até mesmo à esposa do ministro. (Ricardo Noblat)Â




