Brownie com jeito de pipoca, mas que também pode ser transformado em pizza. O pão delícia tradicional ganha um recheio mais exótico, assim como o acarajé e o abará. Tem também o açaí que não é sushi, mas vai em uma barca, mas há quem se surpreenda com um creme de leite de coco orgânico com cara de iogurte. Estas só algumas das criações de empreendedores que incrementam o mix de produtos com um ingrediente que tem se mostrado fundamental para quem quer ver o negócio crescer mesmo em tempos de crise: inovação.
Segundo dados do Serviço de Apoio a Micro e Pequena Empresa (Sebrae), das 11 atividades com maior número de microempreendedores individuais (MEIs) na Bahia – entre elas serviços ambulantes de alimentação, lanchonetes, bares, restaurantes e fornecimento de alimentos – seis atuam no setor de alimentação e respondem por 13,9% dos mais de 380 mil negócios. “Inovar é um grande diferencial competitivo para quem quer se manter no mercado e uma grande oportunidade, sobretudo, para o ramo de alimentos, o que tem sido uma tendência para diversificar a oferta de produtos”, explica gerente de Acesso a Inovação e Tecnologia do Sebrae, Leandro Barreto.
Ainda de acordo com ele, é possível aumentar em até dez vezes o preço de um produto diferenciado em relação ao comum. “No momento em que o empresário cria um produto diferenciado ele, não vende, por exemplo, simplesmente um picolé, como aconteceu com as paletas mexicanas, que deixou de custar R$ 1 para custar R$ 10. Ele agrega ali um valor a mais e conquista um público disposto a pagar por isso”, pontua.
Boas ideias
E tem muita gente apostando nisso. O CORREIO encontrou, pelo menos, dez produtos diferentes que estão movimentando as vendas, justamente, porque trazem algo de novo não só na receita, mas, inclusive, na apresentação ao consumidor (veja abaixo). Foi justamente o que fez a proprietária da Dílicia de Brownie, Vaneska Gabriela Pinheiro, quando percebeu que as pessoas amavam mais a borda do brownie do que ela imaginava. “Por conta da borda ser mais sequinha e crocante, a gente pesquisou e desenvolveu uma embalagem que lembra toda essa coisa de cinema e pipoca. Na crise, a gente tem que ter uma carta na manga sempre e colocar isso para vender. Foi assim que nasceu o Pop Brownie”.
O novo produto foi lançado no último mês, junto com a Kombi Rosa, que vai levar mais um ponto de venda móvel da marca para festas, áreas públicas, empresas e outros locais. A expectativa é que o Pop Brownie responda por 60% das vendas. A estimativa é que a embalagem do Pop Brownie custe em média, R$ 18. “A borda é a sobra do bolo, ou seja, todos os custos do brownie são calculados em cima do quadradinho. O que rende fora isso é lucro”, completa a empresária.
A barca de açaí é mais um produto que surgiu depois que uma das sócias do negócio, Ariane Valentim, começou a vender açaí no pote para os colegas do trabalho. A média que serve três pessoas custa R$ 35. A grande, para 10 pessoas sai por R$ 60. “A empresa só tem três meses e por mês a gente já consegue vender, pelo menos, 280 barcas”, comemora Ariane, que está acrescentando mais um produto ao cardápio: o açaí no coco e inaugurou recentemente a loja física. “O açaí tem o mesmo sabor em qualquer lugar. O que muda é a criatividade na hora de vendê-lo. Isso fez com que a gente conseguisse dobrar os R$ 8 mil investidos quando montamos o empreendimento”.
O acarajé e o abará também ganharam novos ingredientes no tabuleiro onde a baiana Dinalva Gomes, mantêm seu ponto certo no bairro de Marechal Rondon. O que era antes o bolinho de feijão fradinho tradicional acompanhado do camarão, caruru e vatapá, pode ser encontrado com recheios de bacalhau, marisco, siri catado e miraguaia. E o abará também. “Eu mesma fiz em casa, no começo com uma sobra de bacalhau. Aí saiu gostoso e resolvi vender”, conta.
Depois da experiência com o bacalhau, o ximxim de galinha foi mais um recheio passou a fazer parte do cardápio. O abará e o acarajé mais “diferentão” é vendido somente nos finais de semana e estão no precinho: o acarajé a depender do recheio, varia de R$ 4 a R$ 6; o abará sai por R$ 5, mas ela garante que faz negócio. “A gente trabalha em bairro e tem que vender barato. É só chegar que a gente conversa”.
Em breve
Outro produto inovador, ainda está no forno. É a nova linha de pipocas salgadas da Las Palomitas. Entre os novos sabores está a apimentada com queijo, que chega ao mercado neste primeiro trimestre para incrementar as vendas. “Queremos trazer o regionalismo da Bahia para a pipoca. A expectativa é lançar no Natal e aumentar o faturamento do negócio em 50%”, estima o empresário Bráulio Barreto.
O gerente de Acesso a Inovação e Tecnologia do Sebrae, Leandro Barreto, destaca algumas dicas importantes para tirar estas boas ideias do papel. É preciso pesquisar, estudar a demanda, buscar investimento e parcerias. “Sempre valide o que você está fazendo com seus clientes em potencial. Por mais que a primeira ou a segunda ideia dê errado, a próxima pode dar tão certo a ponto de compensar as outras tentativas”, completa.
DEZ PRODUTOS DIFERENTES QUE INCREMENTAM O FATURAMENTO E OS NEGÓCIOS
Nem tão tradicional
A receita que a mãe da empresária Sumaia Tanure aprendeu há mais de 40 anos ganhou recheios diferentes, depois que Sumaia decidiu “gourmetizar”, o pãozinho, com a babaganoush (pasta de berinjela) feita com legumes orgânicos plantados em casa. Foi então que ela incrementou ainda mais o cardápio com opções como camarão, tomate seco com rúcula e pesto com tomate cereja. Até mesmo o salpicão da ceia de Natal virou opção de recheio para o pãozinho da Delícia D’Lígia. “Nas festas de final de ano, a gente chega a produzir mil pãozinhos por dia. Estamos recriando os recheios para ofertar algo novo e mais sofisticado”, afirma. Valor: R$ 1,40 (a unidade).
Tudo em pizza
O brownie inspirou a empresária Luciana Simas, da Lulu Gourmet a desenvolver uma pizza inspirada na receita, após a sugestão de um cliente. “É uma camada de brownie bem fininha coberta com uma generosa camada de brigadeiro cremoso com fatias nos sabores brigadeiro branco e preto, casadinho e doce de leite”, descreve. O apelo de serdiferente e também artesanl segundo Lucaiana não atrativos que fazem a diferença. “A pizza tem uma boa saída, principalmente para os clientes que vão receber alguém em casa e precisam de uma sobremesa prática. O que acaba conquistando é o fato de ser um produto artesanal e único”, ressalta ela. Valor: A pizza tem 12 fatias e custa R$ 80.
Na latinha
A versão pop do brownie da Dílicia de Brownie foi criada depois que a proprietária do negócio, Vaneska Gabriela Pinheiro viu que, onde menos se esperava – na borda do bolo – havia uma oportunidade de ganho, sem ter que investir muito para desenvolver o novo produto. “A concorrência na área de alimentação e gastronomia é cada vez maior, principalmente porque muita gente que perdeu o emprego decidiu montar o seu negócio próprio. Pra se manter vivo, a gente tem que buscar algo inovador”, afirma a empresária. A inauguração da Kombi da Dílicia de Brownie é mais uma iniciativa para movimentar as vendas. “Vamos levar o produto até onde o público quiser”, completa. Valor: R$ 18.
Para quem ama açaí
Frutas como morango, kiwi, banana acompanham a barca de açaí, que está também disponível na versão cheia de “gordices” com nutella, paçoca, kit kat, ovomaltine, sonho de valsa, bis ou m&MS. Depois que acrescentou tudo isso ao produto, o Açaí no Pote conseguiu dobrar o valor do investimento inicial em apenas dois meses de operação. “A barca é o que o pessoal mais procura por ser diferente. Por isso cada dia a gente tenta trazer uma novidade para o cliente”, conta uma das sócias do empreendimento, Ariane Valentim. Por isso cada dia a gente tenta trazer uma novidade para o cliente”, conta uma das sócias do empreendimento, Ariane Valentim. O açaí “diferentão” expandiu para uma loja física, inaugurada no último mês. Valor: A barca média (3 pessoas) custa R$ 35. A grande (10 pessoas) sai por R$ 60.
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A pizza de Ovomaltine da Hut já é responsável por 80% das vendas de sobremesa |
Nem Bob’s nem MC Donalds
A opção de sabor entrou no cardápio da loja de rua da Pizza Hut para incrementar o segmento de sobremesa da pizzaria. Em pouco tempo, o produto atingiu a marca de 80% das vendas de sobremesa na unidade da franquia, em Ondina. “A partir do momento que você incentiva o consumo de determinado produto ele volta a loja para consumi-lo e ainda gera o boca-boca”, ressalta um dos sócios, Marcelo Simões, que confessa que a polêmica recente que envolve o Ovomaltine também deu um “up” nas vendas. “O fato do Ovomaltine estar tão na mídia também acaba colaborando para a saída do produto”. Valor: A pizza individual com borda recheada custa R$ 20,90.
Com hora marcada
Os sabores mais diferentes estão entre os mais procurados pelos clientes da Fina Paulista. O serviço funciona via delivery e muitos dos ingredientes das pizzas fabricadas artesanalmente saem do quintal do proprietário da pizzaria, Rogério Lapa. É ele mesmo quem prepara a pizza, faz o atendimento e a entrega, personalizando, ao máximo, o serviço. “Aposto na fidelização para manter o negócio. Muitas pessoas querem mais do que pedir uma pizza normal. Elas podem agendar o pedido, marcar dia e horário e contam com um atendimento diferenciado”, afirma. A produção é limitada a 20 unidades por dia. Valor: As pizzas servem oito fatias e custam entre R$ 35 a R$ 45.
Mais que dendê
Vatapá e caruru, podem ser substituídos por recheios bacalhau, marisco, siri catado, miraguaia e ximxim de galinha no acarajé e abará da Dinha. A banca da baiana fica no Bairro de Marechal Rondon, no ponto de ônibus próximo ao Colégio Manuel Ribeiro. “Criei meus filhos vendendo acarajé. Eu gosto de fazer, trabalhar com amor e ir inventando coisas”, conta. Tem o abará e o acarajé tradicional, mas com sabores diferentes são vendidos só nos fins de semana. Dinha também aceita encomendas para eventos. “Vem muita gente de fora comprar na minha mão. Tem turista que leva até abará e acarajé congelado”. Valor: o acarajé custa de R$ 4 a R$ 6, a depender do recheio. O abará sai por R$ 5.
Estourada
Depois de entrar no mercado inovando com a gourmetização de pipocas doces, a Las Palomitas está investindo em uma linha de pipocas salgadas. Entre os novos sabores está a apimentada com queijo, que chega ao ponto de venda da marca, no Shopping Paralela, a partir de dezembro. Para o sócio-proprietário da Las Palomitas, Bráulio Barreto, o desafio faz parte do negócio. “Tentamos fazer até uma pipoca sabor acarajé, com dendê e camarão, mas ainda temos que aprimorar uma conservação que possa manter a pipoca crocante. Eu ainda não desisti. Vale muito a pena fazer esse investimento porque o retorno é sempre grande”. Valor: As versões custam a partir de R$ 11,90.
Com jeito de iogurte
Na tentativa de competir com o iogurte do café da manhã, também deve chegar ao mercado consumidor o creme de leite de coco orgânico, desenvolvido pela Fino Coco. A marca está de olho no mercado dos produtos em glúten e sem lactose. “É um segmento que está em busca de alternativas ao leite e aos produtos lácteos, que possuem uma demanda cada vez maior. E aí a gente viu a oportunidade em desenvolver um creme de leite que pode ser consumido como iogurte feito com base nesse leite de coco orgânico”, ressalta o proprietário da Fino Coco, Kleber Ramos. O produto chega as prateleiras no primeiro trimestre deste ano. Valor: Ainda não há uma estimativa de preço.
Sobremesa regional
Ao invés do bolo, a cocada de forno com sorvete. A ideia de montar a sobremesa veio junto com a necessidade de atender a demanda de fornecimento de opções para o cardápio do Bar e Restaurante Cabana da Cely, em Patamares. “Já fornecíamos os bolos de pote e pavê, mas a gente precisava pensar em algo que proporcionasse uma porção maior de sobremesa e, ao mesmo tempo, tivesse uma proposta regional”, explica um dos criadores do Açucareiros, Tomaz Villarpando. A partir de novembro, a opção passa a fazer parte do cardápio. “Esperamos aumentar em 50% o fornecimento de sobremesas para a Cabana”, acrescenta Villarpando. Valor: A sobremesa deve custar entre R$ 16 e R$ 17.
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