O ferry e a ponte – por Samuel Celestino

Desde que o governo do estado resolveu privatizar a Companhia de Navegação Bahiana (com H), criada na primeira metade do século passado, nenhuma empresa conseguiu apresentar serviços à altura da velha CNB. O sistema ferry-boat foi pensado e criado no governo Luis Viana Filho, nos anos 60, quando era secretário dos Transportes Francisco Benjamim de Carvalho. Construiu também a rodovia até Nazaré das Farinhas, a ponte do funil, entre a ilha e o continente, enfim a ligação do sistema ferry-boat à BR-101.  A CNB chegou ao fim porque era deficitária para o estado, com um prejuízo de R$20 milhões por ano. O serviço já não era o mesmo, mas em comparação com as empresas que assumiram a travessia com a privatização, não há como não ter saudade da antiga Companhia de Navegação. O governo retira a TWB da operação dos ferries tarde. A empresa é ruim, o comando é ruim, os barcos são canibalizados com a retirada de peças, o atendimento aos usuários é pífio e o preço da travessia está muito distante do que era cobrado pela saudosa CNB. É extorsivo. Em outras épocas, anteriores ao seu sepultamento, a CNB também fazia linha para Ilhéus, até esse tipo de transporte para a cidade da ex-região cacaueira perder o sentido com as rodovias. Agora, a Agerba ? leia-se governo do estado ? tem a obrigação de realizar uma licitação com exigências contratuais consistentes e não da forma como foi feito para a TWB. Por ora, o sonho da ponte Salvador-Itaparica está muito distante de ser realizado. O sistema, portanto, é essencial.  Talvez lá pelo ano 2030, tomando como parâmetro o metrozinho de seis quilômetros, a ponte, anunciada há cerca de três anos, um pouco menos, nunca saiu do plano do sonho ou, quem sabe, do pesadelo.  Antes dela, há muito que fazer por Salvador. É o que se promete em campanha pelos candidatos o que está mais para a mentira do que para a verdade. (Bahia Notícias)