O médico neurologista Dr. Agenor, em entrevista ao repórter Léo Valente, falou a respeito da depressão e tirou a dúvida de ouvintes. ?A depressão é uma doença que obedece a critérios específicos determinados pelo DSN, que é um manual da Academia Americana de Psiquiatria, e este define a depressão como uma doença que a pessoa pode ter sintomas depressivos decorrentes de uma doença crônica, internação prolongada, a perda de um ente querido?, apontou; nestes casos, o paciente pode tratar essa depressão ligada a uma causa especifica e se curar, contou o médico. Mas a chamada depressão maior, aquela que os estudos mostram que tem uma base genética ou que tem uma alteração no funcionamento de algumas substancias químicas no cérebro, essa depressão acomete atualmente entre 15% a 20% de toda população mundial, ressalta.
A depressão que vem do idealismo suicida, e juntamente com o humor rebaixado, pensamentos negativos, tristeza, falta de vontade de sair, realizar coisas, desinteresse, alterações cognitivas como lentidão e dificuldade de raciocínio, insônia, ocasiona na depressão como uma doença que muitas vezes é difícil para a família perceber, pois o paciente às vezes esconde, salienta o médico. O apetite é um elemento importante no diagnóstico da depressão maior, assim como dormir o tempo todo. Já os sintomas isolados como desinteresse, falta de concentração, negativismo são elementos chave para que a família fique, advertiu o médico. ?Os estudos epidemiológicos de depressão comentam que hoje a depressão é pouco identificada nos mais vários substratos da sociedade?.
É preciso ficar atentos, pois iniciado o tratamento cedo, a possibilidade de evitar recorrências futuras, e que o paciente tenha outra crise é menor, afirmou. Quando uma pessoa tem uma crise depressiva, existem 50% de chance de haver outra crise. E cada vez que o paciente tem outra crise, a chance de uma outra recorrência aumenta em 60% a 70%, disse. A mudança de comportamento da pessoa, a falta de interesse, o desinteresse sexual faz com que os familiares procurem um profissional de saúde. ?A depressão interfere tanto no convívio familiar, como na questão do trabalho, tem num impacto social muito grande?, salientou.
?Baseado em estatísticas americanas, existe um perda anual na produtividade, ou seja, perdem-se milhões de dólares por ano com pacientes depressivos, ou seja um profissional que não produz, possui a capacidade, porém vai declinando a sua capacidade mental, pois passa a ter problema de memória, desatenção, não tendo uma capacidade resolutiva que possuía antes, a partir destes elementos, o profissional é encaminhado para o serviço médico da empresa?, narrou o médico.
A depressão é relativamente maior em mulheres do que em homens, ainda não se sabe o porque, comentou. Um dos critérios para o diagnóstico da depressão, segundo o médico é aquele paciente que apresenta mais de duas semanas seguidas um humor rebaixado, melancolia, tristeza, ?um vazio no peito?. ?Assim como as características físicas, cor do cabelo, da pele, o comportamento também é definido geneticamente?, afirma o médico. ?Tanto que, no caso de pacientes gêmeos, quando um tem depressão a possibilidade do outro ter depressão é cinco vezes maior que a população geral, logo, se um gêmeo tem depressão o outro provavelmente terá em algum momento.?
No entanto, Dr Agenor faz um esclarecimento sobre a depressão definida e a depressão doença; pois, sintomas depressivos, tristeza, desânimo, todos podemos ter em algum momento da vida, por algum problema no trabalho ou em casa, a questão é se o sintoma persiste durante determinado tempo e vem associado a outros sintomas que caracterizam a depressão, desta forma pode ser chamado de depressão, relatou. ?Depressão é um conjunto de sinais de sintomas?, adverte. ?A depressão patológica ou depressão doença, geralmente é preciso tratar a vida toda, e o tratamento não é só medicação?.
A depressão pode fazer parte de um transtorno psiquiátrico, sendo relativamente comum, isto é, o distúrbio bipolar. Significa dizer que um paciente que oscila entre longos períodos, meses ou anos depressivo e um tempo de agitação, o chamado ?período de mania?, período em que o paciente não pára no lugar, é muito efusivo, extremamente alegre e falante, e em outro momento pode ser o contrário, esclarece o médico. No momento de mania, ele pode ter alucinações visuais, escutar vozes, pensamentos negativos e criar pensamentos de está sendo perseguido por alguém. Logo, o transtorno psiquiátrico e distúrbio bipolar, pode ser acompanhado também, como caso de depressão, concluiu.
Sidna Rodrigues




