Dr. Josemar Brito e a Presidente do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas, falam sobre a nova lei

Em entrevista concedida a Rádio Andaiá, no programa Andaiá Debate, o Dr. Josemar Brito abordou questões  referentes  a nova  lei, que garante o direito das empregadas domésticas.  O mesmo comentou, que  existe uma distância grande entre a relação  do mercado de trabalho e  essa lei, pois vai depender do poder executivo praticar a lei e fiscalizar, e para isso conta-se com as delegacias do trabalho. ?A CLT é de 1943, mas quanto de direito garantido tem na CLT  e muita gente não  cumpre!?, frisou. Segundo o mesmo a lei não nos dá garantia alguma, o que garante é a fiscalização do Poder executivo, a Delegacia do Trabalho.

?Para a empregada doméstica, a luta vai ser maior ainda, para conseguir  por em prática esse direito que ela tem, porque a maioria não vai receber, só vai receber depois que for à justiça do trabalho, e mesmo assim se a patroa tiver condição financeira, patrimônio para suportar uma condenação na justiça do trabalho, pois se não pagar com dinheiro, pagará com o patrimônio?, acrescentou.

A Presidente  do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos da Bahia, a Srª Cleusa dos Santos, ao participar do programa e debater o assunto também, disse que o papel  dos representantes da categoria é garantir a fiscalização e o cumprimento da lei,  e foi bastante incisiva, ?quem não tem condições de ter uma trabalhadora dentro de sua casa, não contrate?.  A mesma pontuou, que  o Sindicato e a Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas vêm lutando para que o Brasil tenha uma lei que fiscalize também o trabalho doméstico, pois existe leis que fiscalizam vários órgãos e não há lei que fiscalize o  trabalho doméstico. Referente a isso, a sindicalista  ressalta  a importância da criação do sindicato patronal na Bahia,  para que possa facilitar a negociação entre patrão e empregado.

Sobre a função da empregada doméstica, a sindicalista relatou que  a orientação que o sindicato dispõe para essas trabalhadoras,  é que ao conseguir o trabalho, levar consigo a carteira de  trabalho para o patrão assinar, e lá mesmo decidir qual será a sua função ou funções especificas. Para isso, a mesma salienta  que este acordo fique bem claro para ambas as partes.

Conforme a presidente do sindicato, desde o momento que  exista o acordo legal entre patrão e empregado (a),  este (a) poderá executar mais de uma função na casa. Para Dr. Josemar,  a faculdade de negociação é que dá poder ao trabalhador,  para determinar as funções a serem executadas.

  No dia 27/04, é o dia nacional do trabalhador (a) doméstico (a). A sindicalista comentou que é uma data muito importante, inclusive ressaltou, que no corrente mês, aconteceu uma semana de atividades voltadas para esse público em Salvador.  Informou  também, que  está acontecendo  a semana de valorização do trabalho doméstico, em um shopping da capital, com a retirada da carteira de trabalho, cadastramento profissional, combate o trabalho infantil, presença do INSS para retirar dúvidas dos trabalhadores, orientação trabalhista,  enfim, um evento de grandes ações para todos.

 À atuação de menores de idade como trabalhadores domésticos é proibido por lei, a este respeito, a presidente confirmou que menores de 18 anos são proibidos de exercer esta função. Ainda segundo a mesma, a OIT (Organização Internacional do Trabalho)  fez uma pesquisa  e constatou que a pior forma de trabalho infantil, é o trabalho doméstico, e desde 2008 o Governo Federal decretou que menores de 18 anos não podem trabalhar como empregados (as) domésticos (as).

  A  questão da confiabilidade  entre patrão e  empregado, é bastante delicada,  sobre isso,  a mesma relatou que em toda categoria trabalhista, existe o bom e mau trabalhador.

Quanto ao agenciamento de empregadas domésticas, a sindicalista informou que  é ilegal.  Contou que existem agências que prestam esse serviço, mas as queixas são grandes, pois a agência não dá subsidio algum  para o (a) trabalhador (a). Mas, o Dr. Josemar salientou, que se o agenciamento estiver dentro da lei, não há problemas.

 A expansão do sindicato, e o apoio a todos os trabalhadores domésticos da Bahia, é  uma das grandes lutas do sindicato, informou a sindicalista, acrescentou também que pretendem ir para o interior. ?Nós não temos desconto em folha, não tem posto sindical, então a gente depende desse trabalhador e dessa trabalhadora para ir lá no sindicato, se associar e contribuir com 1% do salário mínimo mensal?, declarou.

Para dúvidas e esclarecimentos, entrar em contato com o telefone  (71) 3334 ? 1734 ou então dirigir-se até as acomodações do sindicato, que fica na Avenida  Vasco da Gama, próximo ao HGE, em Salvador.

 

 Sydna Rodrigues