SAJ: Especialistas mostram a importância do Patologista no diagnóstico de doenças

O Oncologista Clínico da Policlínica e diretor do Oncocenter o Dr. João Neiva juntamente com  o Dr. Fernando Queiroz, especialista em Patologia,  em entrevista a Rádio Andaiá desta sexta ? feira (10), esclareceram questões referentes a este tipo de  especialidade da medicina. Segundo o médico Fernando Queiroz, a patologia é uma das especialidades menos conhecida da medicina, seja por falta de informação das pessoas ou porque estes profissionais desenvolvem o trabalho nos bastidores, sem que apareçam. ?O patologista tem um trabalho que é muito confundido com o laboratório, na realidade nós temos um laboratório de patologia, que é diferente do que examina sangue, fezes, urina. A gente trabalha basicamente com tecidos, é o que as pessoas chamam de biopsia; a biopsia na verdade é o ato de coletar, tirar o material que é levado para o nosso laboratório para ser examinado. Então, nós trabalhamos com tecido e com líquidos, o paciente tem liquido no abdômen, a gente tira e examina. Trabalhamos  com células?, explicou.

Para Dr. João Neiva, o papel do patologista no diagnóstico de uma doença é muito importante, pois uma vez que o paciente possui a suspeita de tumor, líquido na barriga, ou outro tipo de suspeita, este será submetido a uma cirurgia, em que o cirurgião fará o procedimento cirúrgico e a retirada de um  pedacinho do tecido, que será encaminhado para o patologista. O patologista   irá analisar a estrutura que foi retirada e definir  se o tecido tem células malignas ou benignas e infiltração de tecidos outros, no órgão que foi investigado. ?Sem o patologista, a oncologia não tem como funcionar?, advertiu.

Dr. João Neiva ressaltou a importância do contato com o patologista, junto à equipe médica.  Toda cirurgia que o paciente faz, o material deve ser encaminhado para o patologista, pois o mesmo irá avaliar o tecido e diagnosticar se o tumor é maligno ou benigno. ?A gente tem alguns tipos de tumores no mesmo órgão, por exemplo, tumores de pulmão, este tipo de tumor possui dois grandes grupos, os pequenas células e os não pequenas células, são tratamentos completamente diferentes, quem vai definir se eu vou usar um ou outro tratamento é o  patologista?, esclareceu.

O pouco contato com o paciente, segundo Dr. Fernando, deve-se ao local onde estes profissionais trabalham. O mesmo lembrou que antigamente os patologistas trabalhavam muito ligados aos hospitais e acrescentou que atualmente o número de patologistas no Brasil é muito pequeno, cerca de três mil, na Bahia gira em torno de pouco mais de sessenta e o interior baiano  conta com oito profissionais.  ?O patologista só trabalha no laboratório, dando laudo, vendo as lâminas, a gente fico muito escondido?, pontuou.

O tempo de armazenamento  do material de biopsia e citologia segundo Dr. Fernando  é de 5 anos conforme determina a lei, embora há alguns anos, o período de guarda era de 20 anos. ?Na prática, nós temos muito medo de jogar esse material fora,  porque tem casos que a gente pode precisar desse material  para estudo, pois uma outra área de trabalho do patologista, é a pesquisa. O que nós guardamos não o intestino inteiro, é o material que foi colhido para ser examinado, são as lâminas. A gente faz um bloquinho de parafina e guarda esse material por pelo menos cinco anos. Meu caso particularmente, o laboratório já tem 12 anos na cidade, eu nunca joguei nada fora, todo material está guardado com a gente?, contou. 

Conforme os médicos, todo material guardado pode servir de estudo para alguma pesquisa científica. Dr. João contou, que participa de um projeto de pesquisa cientifica  sobre ?Ancestralidade em câncer de mama?.  ?Na nossa população que é mestiça, a chance de ter uma patologia  chamado triplo -negativa é muito alta, então, é importante que eu tenha esses bloquinhos, essas lâminas guardadas por muito tempo, porque daqui a 20 ou 30 anos, numa outra geração, se a gente quiser avaliar se realmente existe uma penetração dessa alteração genética na população, isso é importante. O trabalho do patologista vai muito além apenas de dar o laudo, tem a questão da investigação, de pesquisa à biologia molecular,  acrescentando cada vez mais?, ressaltou.

Dr. Fernando salientou, que a medicina evoluiu muito, e apesar  dos patologistas usarem as mesmas técnicas de 100 anos atrás, existem procedimentos novos, como a biologia molecular.  ?Tem-se um arsenal de novas  tecnologias que são utilizadas na rotina do patologista,  com essas novas tecnologias, nós passamos a ter muito mais precisão no diagnóstico. O laudo de patologia, não somente dá o diagnóstico, ele serve muito para ajudar no tratamento, pois alguns tratamentos não precisam operar, o diagnóstico é que vai definir, se precisa de cirurgia ou se o caso será tratado apenas com medicação.

?Prevenção é o melhor tratamento?, concluiu Dr. João Neiva.     

Sydna Rodrigues