Uneb – Campus V promove evento para refletir sobre a “Luta contra a Discriminação Racial”

Em entrevista a Lélis Fernandes nesta segunda ? feira (13),  Daniel dos Santos, estudante da Uneb, falou a respeito da representatividade da data 13 de maio para todos brasileiros. A principio, Daniel ressaltou sobre o mito existente nesta data, conhecida como a ?Abolição da Escravatura?.  ?A nossa população ainda continua marginalizada, sofrendo extremamente com o racismo e com a segregação racial?, pontuou.

Daniel falou, que  a partir do século XX, com o desenvolvimento e a sistematização do movimento negro, houveram várias conquistas para os negros, dentre elas o sistema de cotas raciais e várias políticas voltadas para a população negra na Bahia. ?Depois da África, nós somos um país onde tem mais negros?, frisou.

Segundo Daniel, o Afrouneb  (Núcleo Interdisciplinar de Estudos Africanos e Afro-brasileiros), possuiu  o objetivo de ressignificar a data 13 de maio, ou seja, simbolicamente a data não será  comemorada no dia 13 de maio, mas no dia 14/05,  como uma forma de protesto. ?Nós que fazemos parte do movimento negro, que militamos nessa causa, optamos  fazer no dia 14 de maio a programação, para discutir o processo de abolição no Brasil, que não foi só no Brasil, mas no Ocidente?, lembrou.

Para o entrevistado, mesmo quando os negros foram juridicamente libertos, não houve  a libertação de fato, uma vez que estes não foram incluídos na sociedade, ?o processo de favelização começou a partir do momento que foi assinada a Lei Áurea?, disse.

O negro além de sofrer com o processo de trabalho escravo, também sofreu com as políticas de embranquecimento, além das políticas de exclusão social, pois não houve promoção de educação para população negra, nem para o mercado de trabalho assalariad,o como houve para os imigrantes que chegaram no Brasil. ?O processo de abolição foi uma utopia?, salientou.

O cenário nacional conta com personalidades negras que fizeram e fazem seus  nomes devido seus trabalhos e profissionalismo, como Pelé e atualmente o Ministro Joaquim Barbosa. ?A nossa sociedade ainda está em processo de aceitação das diferenças, não somente de etnias, mas também de gênero?, argumentou.

 O Professor da Uneb, Dr. Wilson Roberto  de Matos, é um dos  responsáveis pela tese do sistema de cotas raciais.  ?Não existiria Wilson Roberto de Matos e Joaquim Barbosa hoje, se não fosse essa luta secular de negros e negras que sempre aconteceu desde o momento que a escravidão   foi imposta para os africanos”, ressaltou Daniel. 

“A criação de uma Secretaria Racial de promoção da Igualdade Racial”, segundo Daniel, é um projeto que existe e inclusive  foi discutido com a gestão anterior a promessa de ampliar o projeto, porém não foi honrado o compromisso da criação da Secretaria . No entanto, o mesmo contou que há possibilidade de criação dessa Secretaria junto à gestão atual.

No dia 14/05, a partir das 08:00h haverá a exibição de um filme; a tarde a partir das 14:00h ocorrerá a Conferência com a Profª  Doutora da UFRB,  Isabel Reis, e a noite haverá um baile Black  com Alana Sena  e banda Gan,  dentre outros convidados.

Sydna Rodrigues