Pessoal de limpeza afirma que abre cadáver no IML de Santo Antônio de Jesus

Dois auxiliares de limpeza do Departamento de Polícia Técnica de Santo Antônio de Jesus (a 185 km de Salvador) queixam-se de desvio de função por receber ordens para abrir corpos e auxiliar os peritos a fazerem as necropsias. A denúncia foi feita ao Sindicato dos Trabalhadores em Limpeza da Bahia.

Segundo Edson Conceição de Araújo, diretor-executivo e responsável pela saúde do trabalhador do sindicato laboral, o Sindilimp, a entidade ingressará esta semana com uma denúncia no Ministério Público do Trabalho (MPT). Os auxiliares (que não tiveram os nomes revelados) foram contratados por uma empresa terceirizada. Além deles, trabalham no DPT dois motoristas, dois auxiliares de necropsia e um auxiliar de serviços gerais.

De acordo com Edson Conceição de Araújo, além do desvio de função, os auxiliares são submetidos diariamente a péssimas condições de trabalho. “Eles se queixam de atrasos de salário, não pagamento do vale-transporte, vale-refeição e de horas extras. Eles removem o cadáver na rua e levam para o DPT. Mas lá, sem equipamentos de segurança ou qualquer tipo de treinamento, têm que abrir os corpos. Isso está errado. Fomos até a cidade e comprovamos as denúncias”, assegurou o sindicalista.

Sindicância – O diretor sindical aproveitou para dizer que os funcionários de outros IMLs são vinculados à LC Empreendimentos, empresa que constantemente atrasa o salário dos terceirizados. Segundo o Sindilimp, em municípios como Jequié e Valença os trabalhadores também sofrem com o desvio de função. “Vamos abrir uma sindicância para apurar as denúncias. A fiscalização é dever do Estado, que tem que tomar providências”, garantiu Edson de Araújo. O coordenador regional do DPT, o perito criminal Ricardo Nery, admitiu o desvio de função dos auxiliares de limpeza. “No momento em que foram contratados, foram informados de que fariam o trabalho de um auxiliar de necropsia. É uma realidade em todo o estado e até na capital”, observou.

Ainda segundo o coordenador do DPT, os funcionários foram contratados como auxiliares de serviços gerais, mas já trabalham dessa forma há muito tempo. “Abrem cadáver, sim, depois da remoção do corpo. Não existe o cargo de auxiliar de necropsia e nem de motorista policial. A diretoria do interior já tem projetos para regularizar a situação”, assegurou. Sobre as condições precárias, Ricardo Nery disse que o DPT possui dois rabecões e dois veículos novos. “A situação já foi pior. Hoje está bem melhor”, afirmou.

Cristina Pita, repórter A TARDE