O primeiro avistamento do que se tornou o maior desastre ambiental na costa brasileira ocorreu em 30 de agosto no estado da Paraíba. Desde então, a mancha foi limpa e voltou mais de uma vez em 16 praias do Nordeste. Em alguns casos, a sujeira chegou a aparecer quatro vezes nas praias, ou seja, três reincidências foram registradas.
Ao todo ocorreram 103 reincidências em 83 municípios diferentes. Veja a lista dos municípios onde elas aconteceram mais de uma vez:
Nas outras praias com reincidência da contaminação, o óleo foi limpo e ressurgiu em um único momento.
O estado do Rio Grande do Norte, além de ter sete das 16 praias com mais de uma reincidência das manchas, também foi o estado com maior registros de retorno do óleo. Foram 36 registros de praias com manchas que foram limpas e, depois, voltaram a apresentar sujeira. O segundo lugar está com a Bahia, com 24 registros. Veja a lista:
Apesar de ser o estado com mais casos de reaparecimento do petróleo, o Rio Grande do Norte não é o que tem mais praias afetadas. No balanço divulgado pelo Ibama na quinta-feira (30), quando o desastre das manchas de óleo completou dois meses, o estado da Bahia liderava a lista de localidades atingidas.
Veja o ranking de estados com mais locais afetados:
A comparação mostra que os estados com mais praias afetadas nos dois meses não são, necessariamente, os que têm mais reincidências. Isso ocorre porque o ritmo e o fluxo de aparecimento das manchas mudou ao longo do tempo, segundo pesquisadores.
Carina Böck é pesquisadora do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce) do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Junto com outros cientistas, ela tem estudado um modelo matemático para tentar encontrar a origem do óleo.
Segundo ela, entender o caminho das manchas depende de três fatores principais: densidade do óleo, correntes marítimas e condições atmosféricas. Mesmo assim, outros fatores podem influenciar. Por isso, o grupo trabalha em etapas para tentar entender se novas localidades podem ser atingidas.
“O que pode haver, por exemplo, é que tem um óleo retido na costa e ele é remobilizado. Ele está preso e acaba soltando da costa e acaba sendo transportado novamente. Com o efeito das correntes, poderia afetar outros lugares ou até mesmo os mesmos lugares” – Carina Böck, pesquisadora da UFRJ
No dia 9 de outubro, as prefeituras das cidades afetadas no Rio Grande do Norte, estado que teve mais reincidências, tentavam discutir como resolver a limpeza e alegavam que não tinham condições de realizar o trabalho por falta de recursos. Nesta segunda-feira (28), as manchas retornaram a seis praias nas cidades de Parnamirim, Nísia Floresta e Tibau do Sul.
Com dois meses de óleo no litoral nordestino, ainda não se sabe o que causou a contaminação. O pico de novas localidades atingidas ocorreu em 21 de outubro. A evolução ainda não apresenta uma tendência de queda.
O momento em que mais praias novas foram afetadas não coincide com o pico de reincidências. O balanço do dia 25 de outubro foi o que mais teve registro de manchas em locais já limpos: foram 37 reincidências neste dia.
Das 103 reincidências que o Ibama contabilizou desde o início de outubro, 72 ocorreram depois do dia 25 de outubro.
Segundo Carina Böck, da UFRJ, ainda não é possível determinar se o óleo deve atingir novas praias nos próximos dias ou se vai reaparecer em lugares que já foram limpos.
“Ainda é cedo para determinar se o óleo chegará à região Sudeste, mas condições hidrodinâmicas não descartam a possibilidade” – Carina Böck, pesquisadora da UFRJ
O próximo passo do estudo da UFRJ é criar uma nova modelagem para tentar saber para onde o óleo irá no futuro.
Nesta quinta-feira (31), o Grupo de Avaliação e Acompanhamento (GAA), formado pela Marinha do Brasil, Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que está fazendo ações de prevenção em Abrolhos, na Bahia. Os órgãos disseram, ainda, que os estados de Ceará, Pernambuco e Paraíba estão limpos.
Localidades com limpeza em andamento, segundo o GAA: Nísia Floresta e Tibau do Sul, no Rio Grande do Norte; Japaratinga e Piaçabuçu, em Alagoas; Aracaju, em Sergipe; e Cairu, Ilhéus, Moreré, Camaçari e Trancoso, na Bahia.
Até esta quinta, foram retiradas 3.647 toneladas de resíduos de óleo das praias do Nordeste.
*G1