Médico que morreu em Ilhéus após usar cloroquina teve receita dada por hospital

O médico Gilmar Calasans Lima, 55 anos, que morreu em Ilhéus por conta da covid-19, teve os medicamentos hidroxicloroquina e azitromicina receitados por um médico do próprio Hospital Regional Costa do Cacau, onde ele já trabalhou e para onde foi levado quando teve um mal súbito. Na manhã desta sexta-feira (21), o secretário de Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, havia publicado em rede social que “por ser médico, o paciente conseguiu acesso à hidroxicloroquina e azitromicina”, escreveu.

No entanto, o CORREIO teve acesso à uma receita médica prescrita para o paciente e assinada pelo médico Rafael Klecius Reis Araújo (veja abaixo). Procurada novamente, a secretaria disse que a prescrição receitada fugiu ao protocolo adotado pela unidade de saúde e garantiu que será aberta uma sindicância para apurar o fato.

De acordo com informações do secretário de Saúde, Fábio Vilas-Boas, Gilmar fez tratamento domiciliar por quatro dias, com a combinação de hidroxicloroquina e azitromicina. O paciente chegou a apresentar melhora clínica, sem febre ou dispneia, quando apresentou um mal súbito e deu entrada na unidade com parada cardiorrespiratória.

A Secretaria Municipal de Saúde de Ilhéus (Sesau) disse que não se posicionaria sobre o ocorrido por considerar que o assunto é de responsabilidade exclusiva da unidade hospitalar. A reportagem tentou contato por telefone com o Hospital Regional Costa do Cacau (HRCC), mas a recepção informou que não havia nenhum diretor responsável pela instituição para comentar as circunstâncias da prescrição do medicamento.

Também entramos em contato por telefone e e-mail com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento da Administração Hospitalar (IBDAH), que administra a unidade gerida pelo Governo do Estado, mas não houve retorno até a publicação desta matéria.

Em nota, a Sesab esclareceu que o Governo do Estado libera, mediante prescrição médica, o uso da associação dos medicamentos hidroxicloroquina e azitromicina para pacientes exclusivamente internados no Sistema Único de Saúde (SUS) com diagnóstico positivo para coronavírus (covid-19). “Cabe ressaltar que outras alternativas terapêuticas também são disponibilizadas para emprego no tratamento de pacientes hospitalizados, tais como Ivermectina e Tocilizumabe”, informa o comunicado.

Correio

O Sindimed emitiu nota de repúdio: