Salvador: casal mora dentro de uma Fiorino à espera de imóvel do "Minha Casa"

Brasileiro tem jeito pra tudo. E pra não morar nas ruas de Salvador, um casal encontrou uma solução um tanto incomum: residir dentro de um veículo automotivo. Na Rua Doutor Renato Mendonça, Brotas, uma Fiorino branca, sem pneus e bastante danificada, tem sido a residência de Maria e seu esposo. 

A moradora da Fiorino, que preferiu ocultar a identidade domarido e se identificar apenas como Maria, informou que já residem no veículo há cerca de um mês. ?Estamos aqui enquanto o governo não dá a casa que pedimos no programa?, justificou Maria.

O programa ao qual ela se refere é o Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal, que transforma o sonho da casa própria em realidade para muitas famílias brasileiras. Segundo Maria, o casal já solicitou a casa, e só sairá do fundo da Fiorino para seu próprio lar.

Ela ainda informou que seu esposo tem um filho que mora com sua ex-mulher. ?O filho dele não mora aqui porque meu marido não quer brigar com a família. A ex-mulher dele faz coisa errada e ele não aceita?, disse. Segundo informações de vizinhos, a velha Fiorino pertence a uma oficina mecânica, situada na mesma rua, e o dono da mesma cedeu o carro para o casal.

O outro lado da história

Não é a primeira vez que Maria e seu esposo decidem morar no fundo da velha Fiorino branca, e sem pneus. De acordo com Nilza Gomes, 43, que trabalha no Edifício Bosque Verde, bem ao lado da atual residência  do casal, de tempos em tempos, Maria e seu esposo fazem do velho carro sua moradia. Nilza contou que descobriiu que Maria tem família no mesmo bairro em que ela mora, Cosme de Farias. Segundo ela, a moradora da Fiorino sofre de transtornos mentais.

?Já a vi várias vezes em Cosme de Farias. Sempre que ela surta, eles vêm e ficam no carro. Não costumam demorar, mas dessa vez estão custando a voltar?, relatou. Ainda de acordo com Nilza Gomes, os  vizinhos costumam ajudar com alimentos. ?Ela sempre varre a rua, deixa limpinho. Não incomoda em nada. Chegamos até a dar comida a eles?, concluiu. (Tribuna da Bahia)