O tempo, que Caetano Veloso diz ser um dos deuses mais lindos, trabalha aos poucos. Mais de um ano depois de o baiano lançar Abraçaço, que fechou uma proposta de som relaxada e crua, iniciada com Cê e seguida com Zii e Zie, recoloca-se em cena com a versão ao vivo do álbum do abraço, em CD e DVD.
Pode ser o mesmo homem de olhar fixo e movimentos curtos, delimitados no palco por um pedestal à sua frente e três músicos ao redor, pode não ser. ?A gente vai mudando sempre?, diz ele, ou melhor, escreve, por e-mail, na primeira vez em que irá se manifestar sobre o assunto biografias não autorizadas fora da coluna semanal que assina no jornal O Globo. São mais de sete meses desde que uma das maiores crises da música brasileira envolveram a classe artística, biógrafos, editores de livros, pesquisadores e críticos.
Ao saberem que o Supremo Tribunal Federal estava prestes a julgar uma ação proposta pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros para a alteração da chamada lei das biografias, liberando os lançamentos de autorização prévia dos biografados ou de seus herdeiros, os artistas que já estavam associados em um grupo chamado Procure Saber se manifestaram para que a lei não sofresse alteração. Foi o estopim de um embate intelectual que durou meses.
Caetano, Gilberto Gil, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Djavan e Chico Buarque estavam na associação que tinha Paula Lavigne, empresária e ex-mulher de Caetano, como presidente. Os biógrafos acusaram o grupo de trabalharem contra a liberdade de expressão e os artistas se defenderam, alegando direito à privacidade. (Agência Estado)


