Os empresários de rádio lançaram nesta quinta-feira, 27, uma campanha para pressionar a Câmara a votar, antes da Copa do Mundo, o projeto de lei que flexibiliza o horário do programa ?Voz do Brasil?, que há 79 anos é transmitido de segunda-feira à sexta-feira, de 19 às 20 horas. Pelo projeto, as emissoras poderiam começar o noticiário às 20 ou 21 horas. A proximidade das eleições é a principal barreira para a aprovação da proposta, avaliam empresários. A disputa por um horário cada vez mais nobre do rádio, momento em que ouvintes voltam do trabalho e de caos no trânsito, envolve de um lado os donos de 4.619 rádios comerciais e de outro parlamentares que ainda têm na Voz do Brasil um espaço de divulgação do trabalho ou que pertencem a legendas de esquerda, setor tradicionalmente contra a mudança. A campanha ?A voz que eu quero ouvir? aproveita a realização da Copa do Mundo para tentar aprovar o projeto. As peças publicitárias para rádio, TV e internet destacam que um terço dos 64 jogos do mundial ocorrerá no atual horário da Voz do Brasil. Uma modelo afirma: ?(o projeto) é flexível e não me impede de ouvir o que está acontecendo às 19 horas. Inclusive os jogos da Copa?. Das emissoras de rádio comerciais, 1.227 deverão fazer a cobertura do torneio. O Palácio do Planalto, porém, prepara uma medida no âmbito do governo, que flexibiliza temporariamente o horário de transmissão da Voz do Brasil, garantindo a narração dos jogos. Os empresários dizem que a medida é paliativa. ?O setor entende que essa medida não resolve. A Copa é só mais um episódio que mostra que a transmissão da Voz do Brasil às 19 horas é incompatível com a atual realidade brasileira?, afirmou Daniel Slaviero, presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). ?O poder de escolha deve ser dos ouvintes.


