
Fernando Haddad, ex-candidato do PT à Presidência em 2018, falou sobre o cenário para as eleições de 2022 depois que Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se novamente elegível. Em entrevista à CNN na noite desta quinta-feira (11), ele avaliou que as forças políticas discordantes do atual governo devem se unir para derrotar Jair Bolsonaro (sem partido).
Segundo Haddad, o ex-presidente se mostrava cético quanto à recuperação dos seus direitos políticos e não esperava poder estar na disputa.
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“Eu, como advogado do Lula, era mais otimista que ele. Lula estava muito cético com a possibilidade de concorrer em 2022, ao contrário de 2018, quando ele acreditava que, ao final, a Suprema Corte, o Tribunal Superior Eleitoral concederia o direito de ele disputar a eleição que ele liderava com 40% de intenção de voto no primeiro turno”, disse o ex-prefeito de São Paulo.
Para o petista, no pleito de 2022 a formação de alianças será importante. “Acredito que o Lula vai procurar ampliar tanto quanto possível o leque de alianças para 2022. Até porque vai preparar o governo dele, precisa de base parlamentar e apoio popular. Quem está apoiando Bolsonaro hoje deve continuar, que é 80% do Centrão”, afirmou.
“Aqueles que estão resistindo ao bolsonarismo deveriam fazer um pacto de segundo turno. Temos que ter um pacto de segundo turno para que o Brasil sobreviva ao Bolsonaro”
Segundo o petista, deve haver uma união de diversos partidos e nomes da política nacional em uma frente para enfrentar o atual presidente na eleição, principalmente no segundo turno.
“Queremos garantir que as forças democráticas que não acreditam na maneira de Bolsonaro governar se comprometam em apoiar aquele que for para o segundo turno. É muita coisa em jogo para correr o risco que parte dessas forças decidiram correr em 2018 apoiando Bolsonaro em segundo turno. Penso que esse erro não será cometido por essas forças no próximo pleito”, disse.
Ao analisar o cenário eleitoral, Haddad afirmou que o atual presidente tem um público cativo e que, por isso, pode ir ao segundo turno.
“Quando falo do eleitor típico do Bolsonaro, falo do eleitor de primeiro turno, que compra a ideologia dele de que as coisas se resolvem à força. Infelizmente, 20% do eleitorado não tem compromisso com a democracia no Brasil, entende que é justo armar milícias, ameaçar Congresso, Supremo e imprensa. Isso pode levar Bolsonaro, mesmo mais fragilizado, para o segundo turno. Ele é uma ameaça permanente”, concluiu.
*CNN




