Justiça decide bloquear bens de pai do menino Bernardo

A Justiça do Rio Grande do Sul decretou hoje a indisponibilidade dos bens do médico Leandro Boldrini, suspeito de envolvimento na morte do filho Bernardo, 11. A medida atende a um pedido do Ministério Público e foi tomada por um juiz da cidade de Três Passos, onde a família vivia.

O pedido foi da promotora da Infância e Juventude da cidade gaúcha de Três Passos, Dinamárcia Maciel de Oliveira. Além do médico, sua mulher, Graciele Ugolini, 32, e a assistente social Edelvania Wirganovickz, 40, estão presos suspeitos de participação no crime. ?O MP quer evitar que o Leandro possa vir a se desfazer desses bens para pagar a própria defesa. Entendemos que é imoral que isso aconteça. A vítima não pode financiar a defesa de seu algoz?, avalia Dinamárcia.

Junto com essa ação, Dinamárcia protocolou uma medida cautelar protetiva, para que Leandro e Graciele percam a guarda da filha,de um ano e seis meses. ?Os pais realmente não estão com a guarda dela, de fato, pois estão presos. A criança está transitando pelas casas dos familiares sem que a Justiça tenha sido comunicada para regularizar a situação?, explica a promotora. ?Se algo acontece com essa criança hoje, o Estado poderia ser responsabilizado, porque segregou os pais e não tomou providências sobre a guarda.?

Dinamárcia acredita que, mesmo que o casal seja posto em liberdade durante o provável processo, não é seguro para o bebê permanecer sob seus cuidado. ?Na companhia deles ela corre riscos. Não podemos afirmar categoricamente que não pode acontecer algo com ela. Também sabemos do grande clamor público. As pessoas se tomam por ímpetos agressivos e tendem a praticar algum atentado contra os suspeitos, e, com eles, a criança corre risco.?

Ainda pela manhã, peritos do IGP (Instituto-Geral de Perícias) do Rio Grande do Sil deram procedimento ao trabalho iniciado nesta quinta-feira, 24, em Três Passos e Frederico Westphalen, no noroeste do Estado. Eles refizeram os últimos passos de Bernardo junto com Graciele e Edelvania.

No dia 4 de abril, o menino foi levado de uma cidade a outra na companhia da madrasta como intuito de ganhar uma televisão e visitar uma benzedeira. Em Frederico Westphalen, eles se encontraram com Edelvania. Horas depois, as mulheres foram flagradas por câmeras de segurança de um posto de gasolina sozinhas, no mesmo lugar em que estavam com o menino. (Correio)