
O professor Uberdan Cardoso lançou uma nota pública na qual se refere ao comerciante Ademir Cunha Rodrigues, popular Ademir da Barraca, como patrimônio de Santo Antônio de Jesus. Ademir faleceu devido a complicações da Covid-19 nesta segunda-feira (10) (leia esta notícia aqui). No texto o professor ainda se refere a doença que vitimou o querido Ademir como uma doença traiçoeira.
Leia a homenagem prestada a Ademir abaixo:
- IFBA realiza encontro de comunicadores em Santo Antônio de Jesus e debate desafios da comunicação institucional
- “Temos cidades há mais de três anos sem homicídios”, destaca comandante do CPR Recôncavo sobre redução da violência
- “Quando uma cidade sai do trilho, a gente atua”, diz comandante do CPR Recôncavo sobre ações em Muniz Ferreira e Maragogipe
DEMIR, UM PATRIMÔNIO!
Amigo querido, Pai amoroso, devoto incansável do trabalho, Ademir, com seus passos curtos e rápidos fincou uma bandeira em nossa Cidade: a da Dignidade!
A sua Banca na Praça Padre Mateus, fingia – se Barraca. Mas era além!
O lanche, a água de coco, a cervejinha bem gelada, o cigarro…
Crédito para o celular?
– Hoje, só em Ademir!
As fofocas e discussões políticas, os caça – palavras, o A Tarde, os semanários…
Mais do que dele, a Barraca era ELE!
– Onde você está?
– Tomando uma em Ademir!
Seus clientes vezeiros, impossível de enumerá – los, fidelizavam os horários como se, de fato, batessem o ponto.
Havia os da manhã, do início e do fim da tarde e os da noite, que não raro, amarravam até a madrugada.
Essa impecável noção de Tempo dos seus clientes destoava da de Espaço.
Ademir, que já dividia o apertado recinto com sua esposa, D. Vera, seus irmãos e Léo (funcionário meio filho) vivia colidindo nos clientes que insistiam em ficar do lado de dentro.
E sempre com um tapinha nas costas e um sussurrado ” licença aqui”, seguia seu destino.
Há alguns anos a Barraca de Ademir, assim como tantas outras, foi transferida para a antiga Praça Pirajá, fruto da reforma da Praça Padre Mateus, com a promessa de um dia voltar.
Engraçado, nunca voltou. Mas também nunca saiu de lá. Virou miragem!
Impossível que é passar pela praça e não ver a Matriz, majestosa. E do outro lado, diametralmente oposta, ali, fincados na memória, a Barraca e Ademir.
A COVID, traiçoeira, não o deixou ver o tetra do Bahia na Copa do Nordeste. A COVID, também não nos permitirá mais vê – lo, pois tornou – se ESTRELA!
ADEMIR, Patrimônio Imaterial de Santo Antônio de Jesus.
PROFESSOR UBERDAN CARDOSO




