O novo álbum de Maria Bethânia, Meus Quintais (Biscoito Fino), é uma viagem pessoal ao passado da intérprete. Para montar o repertório, a cantora de 67 anos lembrou-se de sua infância em Santo Amaro, quando ouvia, na voz de Dona Canô, músicas que caracterizam o interior do país, como a moda Lua Bonita (Zé Martins/Zé do Norte), que foi incluída na trilha sonora do clássico do cinema nacional O Cangaceiro (1953).
A canção, que resulta em uma das mais belas gravações do disco, já havia sido registrada nas vozes de Dona Canô e Caetano Veloso num documentário sobre Bethânia, Pedrinha de Aruanda (2007), de Andrucha Waddington. ?Mas foi na versão de Raul Seixas (no álbum A Pedra do Gênesis, de 1988) que eu me inspirei. Aquela gravação é extraordinária?, empolga-se Bethânia, que elogia também a versão de Inezita Barroso.
Velha índia
O que motivou Bethânia a gravar Meus Quintais foi, segundo a própria cantora, ?a vontade de cantar o homem do Brasil, o caboclo, o dono da terra, os índios?. Num intervalo entre um show e outro, teve o impulso de ligar para Chico César e convidá-lo para participar do trabalho. (Correio)


