O governador Jaques Wagner (PT), em entrevista à rádio Metrópole, rebateu as duras críticas feitas pelo ex-governador Paulo Souto (DEM) durante passagem pela cidade de Porto Seguro. Na ocasião, o democrata culpou o governo do petista como o responsável pela falta de segurança, principalmente na região turística do extremo sul baiano.
Wagner, ao responder, colocou a questão como um problema nacional e comparou os dados, após alegar que “há mentiras” disparadas pelas pessoas.
?A segurança é um problema sério em todos os estados da Federação. Eu recebi vários calhambeques, as polícias não tinham coletes à prova de balas. Construímos presídios, meu investimento foi de R$ 16 bilhões e o dele de R$ 6 bilhões. Eu vou sugerir que ele pegue nosso projeto do Pacto pela Vida?, disse.
Além disso, Wagner explicitou um dado estatístico: segundo ele, o aumento dos homicídios durante os oito anos de Paulo Souto “foi absurdamente maior” do que o registrado nos seus dois mandatos. ?Eu vou sugerir novamente ao ex-governador, que falou tanto, que ele pegue os meus sete anos e pegue os sete anos antes de mim. O aumento dos homicídios nesse período dele foi 260%. Pode mandar pegar os números e fazer a conta. Temos que reduzir muito mais. O nosso aumento de homicídios foi 60%. Aumentou, o que é péssimo, mas 60% no nosso período e, no dele, 260%?, disparou, deixando claro que o clima tende esquentar cada vez mais entre os adversários.
Governador aposta em crescimento de Rui
Não só de segurança pública e das críticas de Paulo Souto falou o governador. As recém-pesquisas e as movimentações da pré-campanha também nortearam a conversa. Sobre as intenções de votos, o petista foi taxativo: ?Pesquisa para eleição de outubro aponta pouca coisa?.
?Eu não vou dizer que a pesquisa está errada ou que foi manipulada, porque eu não tenho elementos para isso. Apenas 13% a 14% dos baianos responderam a pesquisa; os outros 86%, 87%, não sabem em quem vão votar. Dos 13%, 6% são do candidato da oposição, 2%, 3%, são de Rui Costa. Ainda aparecem o nome de Lula, o meu nome. Vai vir o programa eleitoral, aí o povo começa a ficar interessado?, completou, sob demonstração de que a expectativa ao nome de Costa é de crescimento, aliado ao desempenho do atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), que passou pela mesma situação do petista soteropolitano na campanha de 2012.
O caso que envolveu o Solidariedade, que por ordem da Executiva nacional não mais apoiará Rui Costa (PT) e marchará ao lado de Souto, ainda rende. O chefe do Executivo soteropolitano disse que ficou triste com a decisão e declarou que o deputado federal Arthur Maia (SDD) é ?vira-folha?, com referência às declarações dadas pelo parlamentar, em janeiro, anunciando apoio a Costa. Maia foi o principal articulador para a ida da agremiação à oposição.
Outro ponto destacado foi a sucessão à cadeira do senador João Durval (PDT) no Senado. Wagner, no bate-papo na rádio de Mário Kertész, não acredita que Geddel Vieira Lima (PMDB) sai vitorioso do confronto com Otto Alencar (PSD). ?Meu pessoal reclama que sou discreto, não sou muito de pendurar a melancia no pescoço. Já disse para não confundirem minha educação com covardia. Eles [a oposição] só conheceram a democracia quando eu cheguei ao governo?, afirmou.


