Suspeito de integrar um esquema criminoso, o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa negou nesta terça-feira (10), em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado que investiga irregularidades na estatal, ter utilizado a companhia para se beneficiar em negócios. Durante as quatro horas e meia do depoimento boicotado pela oposição, ele também rechaçou as acusações de policiais federais de que uma “organização criminosa” teria se infiltrado na estatal do petróleo e que a empresa teria se tornado uma “casa de negócios”.
Um dos 13 presos na operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), Costa é acusado de ter recebido propina e de ter envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões. Devido às acusações, ele ficou quase dois meses preso no Paraná. O processo está sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) em razão de suspeitas de envolvimento de parlamentares no caso.
“Repudio veementemente que a Petrobras era organização criminosa, que tinha outra pessoa que fazia lavagem de dinheiro, que foi dito pela impresa que eu tinha participação nos negócios, repudio. E coloco que a Petrobras não é nada disso do que está se falando. […] Foram colocadas dezenas de fatos e situações irreais, que eu repudio veementemente, que a Petrobras era casa de negócios, que existia organização criminosa lá dentro”, declarou o ex-diretor aos senadores.
No depoimento aos senadores, Costa afirmou que as acusações de envolvimento no esquema o prejudicaram porque ele passou 35 anos na companhia.
“Isso para mim foi muito ruim porque 35 anos de Petrobras não se joga na lata do lixo. […] Fiquei oito anos na diretoria. Ninguém fica oito anos se ele não zelar pela companhia, não for capaz tecnicamente e eticamente.” Costa afirmou ainda estar “extremamente magoado” e disse que teve o nome “destruído” pela imprensa.
Depois, perguntado sobre se era um “homem-bomba” que supostamente teria revelações sobre a Petrobras, ele afirmou: “Não existe homem-bomba nenhum. Dizer que Paulo Roberto Costa comandava organização criminosa na Petrobras é uma maluquice.”
A exemplo de outros depoimentos, a reunião da CPI foi esvaziada porque a comissão exclusiva do Senado foi boicotada pela oposição, que quer concentrar esforços na CPI mista de deputados e senadores.
Apenas os senadores Humberto Costa (PT-PE), Eduardo Suplicy (PT-SP) e Vanessa Grazziotin (PC do B-AM) acompanharam praticamente toda a fala, além do presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), e do relator da CPI, José Pimentel (PT-CE). Também participaram ao longo da sessão os senadores Acir Gurgacz (PDT-RO), Anibal Diniz (PT-AC) e Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP). (G1)


