
A Bahia é o segundo estado do Brasil com mais mortes de crianças entre 5 e 11 anos por covid-19 desde o início da pandemia, só perdendo para São Paulo, que registrou 22,8% dos 324 óbitos já ocorridos no país nessa faixa etária por conta do coronavírus.
Segundo dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen), 30 mortes foram registradas (9,8%). As pessoas dessa faixa etária, que até então estão sem a proteção da vacina, devem começar a receber o imunizante nos próximos dias.
A vacina da Pfizer para crianças está prevista para chegar a partir de hoje ao país. Segundo o Ministério da Saúde (MS), o Brasil deve receber 3,74 milhões de doses neste mês. O número é pequeno, uma vez que a população brasileira de 5 a 11 anos é de quase 20 milhões de indivíduos e são necessárias 40 milhões de doses para a imunização completa desse contingente. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisa o uso da CoronaVac para crianças acima de 3 anos de idade.
A previsão da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) é que a vacinação das crianças entre 5 e 11 anos se inicie ainda neste mês. Com o surto de gripe H3N2 (variante do vírus Influenza A batizada de Darwin) e o avanço da variante Ômicron do coronavírus Sars-CoV-2, a taxa de ocupação da UTI pediátrica no estado já 72%, segundo o boletim divulgado pela secretaria ontem. Em Salvador, 90% dos leitos pediátricos de UTI para tratamento da covid-19 têm crianças internadas.
Vacina é segura e protege
O infectologista Carlos Brites lembra que complicações por causa da vacina são muito menos comuns e que não devem ser usadas como justificativa para a não imunização das crianças. “A infecção por covid-19 em um paciente não vacinado, adulto ou criança, pode levar a casos graves e morte. Isso é um fato absolutamente inequívoco e o mundo inteiro provou isso”, completa o médico.
O professor de infectologia ressalta que, em geral, crianças costumam apresentar casos mais leves da doença se comparado aos adultos. Isso acontece porque os mais velhos possuem mais chance de terem doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, que são fatores de risco para o coronavírus. No entanto, isso não significa que o quadro delas não possa se agravar.
No caso de pais de crianças sintomáticas, que estão em dúvida se os filhos estão com gripe ou covid-19, Carlos Brites destaca a importância da testagem: “O teste é sempre necessário no momento em que a pessoa apresente os sintomas. Porque além de diagnosticar corretamente o que está acontecendo, permite que a pessoa instale as medidas de isolamento e proteja os outros”.
O pediatra e especialista em alergia e imunologia Celso Sant´anna, leva em conta a ineficiência do governo brasileiro em testar a população para afirmar que os dados de mortes de crianças por covid-19 é ainda maior que o divulgado.
“Com certeza há subnotificação em todas as faixas etárias, inclusive em crianças, no mundo inteiro. Como é uma doença que tem uma alta taxa de transmissibilidade, é impossível conseguir uma dimensão 100% exata”, acrescenta.
No levantamento divulgado pela Arpen, foram registradas 56 mortes de crianças entre cinco e 11 anos por septicemia (resposta exagerada a uma infecção no corpo), 56 por pneumonia e 37 por insuficiência respiratória. O que mostra que as mortes por covid-19 podem ser maiores, apesar de não registradas.
Letalidade é maior em crianças menores
A vacina da Pfizer deve ser aplicada em crianças de 5 a 11 anos. Entretanto, dados da Sesab apontam que a letalidade da covid-19 é maior nas crianças mais novas. Enquanto a taxa é de 0.08% em crianças entre 5 e 9 anos que foram infectadas, o número chega a 0,13% na faixa etária de 1 a 4 anos. Para os bebês que ainda não completaram 1 ano de vida, a taxa de letalidade sobe para 0,46%.
*Correio




