RJ: Jovem negro é preso enquanto comprava pão; delegado reconhece ‘dúvida’

O jovem Yago Corrêa de Souza, 21, foi preso por policiais militares na comunidade do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Segundo afirmou à polícia, em versão confirmada por familiares e amigos, ele estava tentando comprar pão de alho para um churrasco com amigos, quando acabou detido, ontem, suspeito de tráfico e associação ao tráfico. Hoje, a Polícia Civil voltou atrás e pediu a soltura do rapaz.

Yago foi levado para a 25ª DP, no Engenho Novo, por volta das 19h40. De acordo com a Polícia Militar, uma equipe do Batalhão do Choque “estava em patrulhamento pelas imediações da Travessa Amaro Rangel e vielas da comunidade do Jacarezinho quando se deparou com dois indivíduos — um deles carregando uma bolsa — que tentaram fugir ao avistarem os policiais. Eles foram capturados em posse de material entorpecente”.

Com base no exposto pela PM, o delegado de plantão pediu não apenas a prisão do jovem, como a conversão do flagrante em prisão preventiva (recurso empregado quando o suspeito oferece risco à sociedade, à investigação ou de fuga).

Durante o andamento do caso, familiares, amigos e o próprio Yago Corrêa destacaram que o rapaz não conhecia o adolescente que estava com as drogas e todos confirmaram a versão de que o jovem iria comprar o pão para o churrasco. Além da grande mobilização na unidade prisional e do comportamento do estudante enquanto estava preso, o delegado, em um despacho solicitando a soltura do estudante, destacou que “logo após o término do procedimento surgiram fatos novos relevantes que geraram dúvida razoável em favor da não imputação pela prática de tráfico de drogas e associação ao tráfico”.

O irmão mais velho de Yago, Vinicíus Corrêa, publicou nas redes sociais um apelo. “Ele foi preso injustamente pelos policiais que estão atuando na nossa comunidade. Ele está sendo acusado de associação ao tráfico de drogas e quem o conhece sabe que o Yago não é disso”. Em depoimento, um dos agentes do Choque que participou da ocorrência disse que quando os PM’s se aproximaram, os dois rapazes correram. A família, no entanto, diz que ele pode ter se assustado ao ver o adolescente correr.

Hoje, a Polícia Civil enviou um pedido à Justiça reconhecendo que há uma “dúvida razoável” sobre a suspeita quanto ao estudante. O delegado destacou ainda que quer “evitar injustiças” e precisa de uma “melhor apuração dos fatos”. “O procedimento inteiro foi encaminhado para Justiça, inclusive com o despacho e as demais testemunhas que foram ouvidas depois. O pedido é justamente para ele ser solto na audiência de custódia”, disse o delegado Marcelo Carregosa.

Fonte: UOL