Uma criança de cinco anos foi afastada de uma creche no bairro do Lobato, no subúrbio deSalvador. O afastamento, que ocorreu no dia 1º de setembro, foi justificado pela unidade como um caso de agitação aliado a mau comportamento.
Por causa da decisão da creche, a mãe do menino conta que não está trabalhando direito. ?No dia que ele não está indo para creche, eu estou tendo que pagar uma pessoa mais caro, aí não compensa o dinheiro que recebo?, diz.
De acordo com a Promotoria da Infância e Juventude do Estado, em regra, a escola só pode expulsar o aluno se o mau comportamento for repetitivo e se os pais ou responsáveis já tiverem sido informados sobre a conduta da criança. Já a Lei de Diretrizes Educacionais também autoriza a escola a suspender ou expulsar um aluno, desde que a medida esteja prevista no regulamento da instituição de ensino, que deve conter de forma clara as regras da escola – os direitos e deveres dos estudantes.
A diretora da creche, Maria Célia da Silva, diz que a unidade não tem estrutura para receber crianças com problemas de comportamento. Ela diz que a creche resolveu afastar a criança porque as atitudes dela estavam evoluindo de abusividade para agressividade. ?A gente tem que estar prezando tanto pela integridade física da criança, como também dos outros colegas. Ele teve assim tipo surto, que começou a agressividade com colegas, com os professores, derrubando cadeiras. A gente chamou a mãe para que ela viesse aqui para que a gente encaminhasse ele para o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e, infelizmente, até agora ela compareceu?, contou.
A diretora diz que tomou a decisão apoiada pelo Conselho Tutelar e que, assim que a criança iniciar um acompanhamento psicológico, ele poderá voltar para unidade. Em casa, a criança de 5 anos conta o motivo do afastamento. ??Porque eu fui expulso e também sou muito teimoso. Mas as professoras de lá não deixam a gente brincar um bocado. É por isso fico chateado. Me colocava de castigo?, disse.
Segundo o doutor em neurociências, Neander Abreu, um atendimento psicológico prévio é indicado. ?Se isso de fato está ocorrendo, observar a possibilidade de que esta criança seja encaminhada [para psicólogo] para que a gente tenha uma noção mais clara do que está acontecendo com a criança e com a família?, orienta. (G1)


