O relator do projeto de lei do Estatuto da Família, deputado Ronaldo Fonseca (Pros-DF), apresentou na última segunda-feira (17) substitutivo à proposta em que mantém a definição de família como o núcleo formado a partir da união entre homem e mulher, por meio de casamento ou união estável. Ainda não há data prevista para a votação do texto na comissão especial que analisa a matéria. O relator inseriu no texto outro dispositivo polêmico: o substitutivo modifica o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei 8.069/90) para exigir que as pessoas que queiram adotar sejam casadas civilmente ou mantenham união estável, constituída nos termos do artigo 226 da Constituição. Como o texto constitucional reconhece explicitamente apenas a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, na prática o substitutivo proíbe a adoção de crianças por casais homossexuais, de acordo com a Agência Câmara. Hoje, embora a adoção de crianças por casais gays não esteja prevista na legislação, ela tem sido garantida pela Justiça. Porém, para Fonseca, ?a concessão pelos tribunais da adoção homoafetiva desconsidera o fato de que o tema de pares homossexuais formando famílias ainda não está pacificado na sociedade?. Na visão dele, ?trazer a criança para o meio de um furacão é no mínimo desprezo à proteção dos direitos desse menor.? A proposta permite, porém, a adoção por solteiro ou por uma única pessoa. ?Isso não seria contrário à plenitude do interesse da criança e teria o paralelo com a família monoparental?, afirma Fonseca. Para ele, a união entre homem e mulher, da qual se ?presume reprodução conjunta?, é o ?sustentáculo da sociedade? e a única que deve ensejar ?especial proteção do Estado?. (BN)


