Preço do leite subiu 60% nos últimos 12 meses

alta no peço do leite
Foto: Romildo de Jesus

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado nesta sexta-feira (9) mostrou queda de 1,78% no preço do leite longa vida em agosto. O índice havia sido de alta de quase 26% no mês anterior e chega a aumento de 74,68% no acumulado do ano, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para o produtor de leite e vice-presidente da cooperativa Castrolanda, Armando Carvalho Filho, a queda deve permanecer ao longo dos próximos meses também por uma regulação do mercado — quando o próprio mercado afeta os preços em decorrência da prática da concorrência e da disposição do consumidor em pagar o valor praticado.

A organização está localizada em Castro, nos Campos Gerais do Paraná, município que possui a maior produção de leite do país, de acordo com a Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE.

“Foi uma bolha, não se sustentou, não houve demanda para esse preço fora da curva. A gente está vendo o mercado se regulando para alguns níveis mais aceitáveis, dessa forma o consumidor vai voltar a comprar e consumir mais também. […] Nosso preço ao produtor ainda não baixou, a expectativa é que se normalize nos próximos meses”, afirmou.

Ele ressaltou, contudo, que os custos para os produtores permanecem mais altos na comparação com o ano passado, em especial pela alta nos fertilizantes, combustíveis e commodities.

O cenário de queda até o fim de 2022 também é esperado pelo economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Paraná, Sandro Silva.

Apesar da queda, segundo ele, os patamares de preços registrados no começo do ano não devem ser alcançados no estado. O economista também afirmou que o cenário deve ser parecido em todo o país.

“A gente teve uma alta muito expressiva durante o ano. Em Curitiba, por exemplo, foram quase 80% entre fevereiro e julho. Isso aconteceu porque muitos produtores pararam de produzir por conta da alta no custo e houve também demanda da indústria, em especial para derivados do leite. Com menos produtores e alta demanda, o preço subiu. E teve também a época de entressafra e a condição climática, de seca, que prejudicou a pastagem”, explicou.

Agora, com a chamada entressafra chegando ao fim – diminuindo a necessidade de suplementação alimentar para os animais – e a proximidade do fim do inverno em especial na Região Sul, a tendência é de queda.

“Analisando os números, a gente vê que essa queda se repete em outras capitais do país, em algumas até de forma mais expressiva, como Porto Alegre e Florianópolis, também Belo Horizonte. Então o preço deve baixar e isso vai ser sentido pelo consumidor, mas dificilmente em um valor que estávamos acostumados antes dessa alta”, ressaltou.

Leite como um dos vilões

Conforme IPCA, no acumulado dos últimos 12 meses, o preço do leite longa vida é de 60,81%. Em Curitiba e Região Metropolitana, o índice é de 51,98%.

Conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em fevereiro, o preço médio do litro de leite integral longa vida no Paraná era de R$ 3,54.

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