
Jornal Brasil 247 teve acesso à parte de uma série de conversas gravadas pelo empresário Antônio Celso Garcia, conhecido como Tony, quando atuava como agente infiltrado e réu em um caso que envolvia o juiz Sérgio Moro. Essas gravações levantam questões sobre a conduta de Moro e alegações de possíveis irregularidades.
No primeiro trecho revelado, Tony Garcia, que estava na condição de réu, conversa com o juiz sobre ações que ele desejava executar. Durante a conversa, Tony menciona o advogado Michel Saliba, que na época era presidente da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Curitiba.
Posteriormente, Saliba acabou sendo preso por Moro e permaneceu detido por cerca de três meses, até que a Justiça determinou que o juiz não tinha competência para processá-lo, anulando assim a ação. A gravação em questão foi realizada em 2005, por meio de um dispositivo ocultado na cintura de Tony Garcia. O empresário mantém o equipamento na casa de um irmão que reside em Los Angeles e já foi casado com Priscilla Presley.
Por receio de que Moro pudesse ordenar buscas em seus endereços no Brasil e apreender o dispositivo fortuitamente, Tony enviou o equipamento para o exterior. Quando o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu uma investigação contra Moro e determinou que ele fosse ouvido em depoimento, Tony providenciou uma cópia das gravações. O empresário afirma que entregará a cópia e o próprio gravador para serem periciados.
Neste primeiro trecho divulgado com exclusividade pelo Brasil 247, Moro é ouvido conversando com Tony sem a presença de advogados e, além de determinar alvos, demonstra que suas ações são coordenadas com o Ministério Público Federal, o que configura uma prática ilegal. Tony Garcia também gravou suas conversas com os procuradores da República Januário Paludo e Carlos Fernando dos Santos Lima.
Em uma dessas conversas, os procuradores mencionam que um desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região se separou de sua esposa após saber da existência de um vídeo da chamada “festa da cueca”, com garotas de programa, realizada no hotel Bourbon. Eles riem sobre o fato de o desembargador ter antecipado a possível divulgação do vídeo e ter contado à esposa, que acabou se separando dele. Tony afirma que o vídeo da festa da cueca foi apreendido por Moro, mas não foi anexado a nenhum processo. Ele suspeita que Moro possa ter usado essa gravação para chantagear desembargadores.
Essas revelações levantam questões sobre a imparcialidade de Moro e possíveis influências indevidas em suas decisões. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) é mencionado como um órgão que passou a confirmar as decisões de Moro, mesmo diante de possíveis abusos. É importante ressaltar que Tony Garcia foi preso inicialmente por suposta fraude no consórcio Garibaldi, mas as conversas gravadas com Moro e os procuradores não têm relação direta com essa investigação inicial.




