8 em cada 10 brasileiros consideram o Brasil um país racista, diz Ipec

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Uma pesquisa recente realizada pelo Instituto de Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec) revelou que uma significativa parcela da população brasileira, precisamente 81%, considera o Brasil como um país que ainda sofre com problemas de racismo. O estudo intitulado “Percepções sobre o racismo no Brasil” foi encomendado pelo Instituto de Referência Negra Peregum e pelo Projeto Sistema de Educação por uma Transformação Antirracista (Seta).

Os resultados da pesquisa indicam que 60% das pessoas concordam plenamente com a existência do racismo no país, enquanto outros 21% concordam parcialmente. De forma alarmante, o estudo também destaca que 88% dos brasileiros acreditam que a população negra é alvo de maior criminalização quando comparada aos indivíduos brancos.

Para realizar a pesquisa, foram ouvidas 2 mil pessoas de 127 municípios brasileiros, abrangendo todas as cinco regiões do país, ao longo do mês de abril de 2023. A margem de erro foi estabelecida em dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

Embora o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponte que 56% da população brasileira se autodeclara como negra, esse grupo ainda enfrenta inúmeras barreiras para conseguir ocupar diversos espaços na sociedade. Esses obstáculos representam um desafio significativo para alcançar uma equidade efetiva e combater o racismo em todas as suas manifestações no Brasil.

O levantamento mostra ainda que 44% da população brasileira considera raça, cor e etnia como o principal fator responsável por gerar desigualdades no país. Em relação à abordagem policial, 79% consideram que ela é baseada na cor de pele, tipo de cabelo e vestimenta da pessoa.

“Esses dados escancaram o racismo no Brasil, e demonstram que a população em geral reconhece o racismo em uma das suas faces mais cruéis: a violência institucional, no caso específico, a policial. De forma prática, ela é reflexo do racismo que estrutura nossas instituições, da maneira como naturalizamos a violência contra as pessoas negras e as pessoas moradoras das periferias -cuja maioria é negra”, analisa Ana Paula Brandão, gestora do Projeto Seta e diretora programática na ActionAid.